Título: Risco de descontrole
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Fonte: Correio Braziliense, 13/08/2012, Opinião, p. 11

A queda de braço entre o governo e o funcionalismo é acompanhada com lupa pelo mercado financeiro, que teme o descontrole das contas públicas. Na avaliação dos especialistas, se a presidente Dilma Rousseff ceder demais, há o risco de o país não conseguir cumprir a meta de superavit primário (economia para o pagamento de juros da dívida) no próximo ano e em 2014. É o equilíbrio fiscal que está permitindo ao Banco Central reduzir a taxa básica de juros (Selic), hoje em 8% ao ano, para que o país minimize os estragos provocados pela grave crise mundial.

Para o economista Cesar Bergo, da Corretora OpenInvest, o governo se encontra em uma situação difícil, pois, nos últimos anos, concedeu reajustes ao funcionalismo muito acima da inflação e, agora, precisa dizer não. "A negociação com os trabalhadores é importante. Mas, neste momento, se ceder demais, aumenta o gasto público, põe em risco o equilíbrio fiscal e ainda reduz os recursos para investimentos, importantíssimos para a retomada do crescimento", disse.

Na avaliação dos especialistas, a saída para minimizar o impacto nas contas pública é escalonar o reajuste por dois ou três anos, como foi proposto aos professores de universidades federais. "Mas não é só. O governo tem de aproveitar esse momento para mudar as regras de aumento de salário no serviço público e estabelecer critérios por mérito, pela produtividade. O reajuste tem de ser atrelado a um índice de eficiência e de resultados, como acontece na iniciativa privada", destacou Bergo. Alex Agostini, economista da Austin Rating, concordou. "Será um avanço e tanto. Não dá mais para premiar a ineficiência."

Para Eduardo Velho, da Corretora PlannerProsper, qualquer aumento aos servidores neste momento será ruim e custará caro no futuro. "O governo tem que escolher: ou faz ajuste fiscal ou satisfaz os servidores", disse.