Título: Centrais engrossam cobrança a Dilma
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Fonte: Correio Braziliense, 13/08/2012, Opinião, p. 11

Escanteadas do processo de negociação salarial entre o governo e os servidores grevistas, as centrais sindicais decidiram endurecer o tom contra o Palácio do Planalto. Hoje, cinco das maiores entidades de defesa dos trabalhadores do país divulgarão nota conjunta de apoio à paralisação, que já atinge pelo menos 24 categorias de 30 órgãos federais e parte do Judiciário.

O documento é uma resposta à decisão da presidente Dilma Rousseff de isolar as centrais nas conversas com o funcionalismo público. Ela está descontente, sobretudo, com a Central Única dos Trabalhadores (CUT), braço sindical do Partido dos Trabalhadores (PT), sigla pela qual se elegeu para chefia do Executivo. Na avaliação do Planalto, as centrais estão jogando contra o governo e o país ao apoiar movimentos grevistas que pedem reajustes impossíveis de serem dados neste momento, diante da frágil situação econômica do Brasil e da grave crise mundial.

Ao demonstrar sua insatisfação publicamente, Dilma deu munição à artilharia contra o governo e estimulou uma união entre as centrais para pressionar a favor dos servidores. Assinam a carta de apoio ao funcionalismo, além da CUT, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), a Força Sindical, a União Geral dos Trabalhadores (UGT) e a Nova Central. Ao Correio, o presidente da CUT, Vagner Freitas, disse que o documento das centrais "é um ato de solidariedade" ao movimento grevista. Ele ressaltou que a entidade tem papel relevante nas lutas por melhores salários. "É normal que as centrais apoiem a paralisação", afirmou.

Freitas assegurou não haver "nenhuma crise" na relação com o governo e ressaltou não ter a obrigação de consultar o Planalto antes de endossar a posição a favor dos grevistas. "Não perguntei se o governo concorda ou não com a carta", disse. Sobre a decisão de Dilma de negociar somente com os sindicatos, deixando de fora do processo as centrais, ele frisou: "Quem tem representatividade para negociar com as categorias são os sindicatos, não as centrais".