Título: Setor privado mostra interesse em leilões
Autor: Hessel , Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 16/08/2012, Economia, p. 15
Os empresários presentes ontem no Palácio do Planalto receberam com otimismo o pacote de R$ 133 bilhões em concessões de rodovias e ferrovias apresentado pelo governo federal. Eles se entusiasmaram com a perspectiva de redução dos custos logísticos, que corroem a competitividade nacional. Vários deles já ensaiam sua participação nas licitações que estarão por vir.
"O Brasil está atrasado em logística. É preciso investir maciçamente para reduzir custos e ganhar competitividade. As oportunidades são muitas porque há muito o que ser feito", disse o presidente do conselho de administração do Grupo Gerdau, Jorge Gerdau Johannpeter. Ele minimizou o debate ideológico sobre privatização. "Não quero ideias. Quero soluções", afirmou.
Horas depois de a presidente Dilma Rousseff ter avisado que o modelo de concessões de ferrovias não vai criar monopólios, numa crítica velada aos trechos dominados pelos próprios donos de cargas, como a Vale, o presidente da mineradora, Murilo Ferreira, disse que vai participar dos leilões e que já busca parceiros no exterior. "Esse pacote é um marco histórico. Vamos estudar todos os projetos", garantiu o presidente da divisão latino-americana da International Union of Railways (UIC), Guilherme Quintella.
Custo Depois da solenidade, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reuniu-se com empresários e pediu que eles tenham mais disposição para investir. O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) e controlador da MRS Logística, Benjamin Steinbruch, disse que vai analisar todas as concessões. "A chamada não foi só para os brasileiros. São projetos de bilhões (de reais) e o capital estrangeiro quer ver isso", comentou o bilionário Eike Batista.
"O país não devia ter parado de investir em infraestrutura. Perdemos 60% da competitividade que temos no campo na hora exportar", afirmou Batista. O diretor de Relações Institucionais das montadoras Renault e Nissan no Brasil, Antonio Calcagnotto, deu outro exemplo. "Nosso custo de transporte do Paraná até Belo Horizonte (MG) é quatro vezes maior do que o da Romênia a Paris, na França", disse.