Valor econômico, v. 19, n. 4592, 19/09/2018. Política, p. A9
Haddad sobe 11 pontos e se isola em 2º
Cristian Klein
19/09/2018
Numa tendência de polarização da eleição presidencial, deixando para trás a situação de empate quádruplo pelo segundo lugar que havia até semana passada, pesquisa Ibope divulgada ontem mostra o acelerado crescimento de Fernando Haddad (PT), que subiu 11 pontos percentuais em sete dias e está com 19%, atrás do líder Jair Bolsonaro (PSL), que registra 28% das intenções de voto.
Ex-prefeito de São Paulo, Haddad, há um mês, tinha 4%, depois passou para 6%, 8% e agora chega aos 19%, oito pontos percentuais à frente de Ciro Gomes (PDT). Com isso, o petista, que estava numericamente na quinta colocação, na semana passada, ocupa isoladamente a vice-liderança. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
Impulsionado pelo apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está preso em Curitiba, Haddad cresceu em uma semana mais do que o aumento obtido por Bolsonaro ao longo de todo um mês: oito pontos percentuais.
O deputado federal manteve a trajetória de crescimento observada nas últimas pesquisas do Ibope, porém, em ritmo bem mais lento. Tinha 20%, 22%, 26% e agora 28%, no levantamento do instituto realizado entre os dias 16 e 18.
O ex-governador do Ceará Ciro Gomes ficou estável, com os mesmos 11%, no limite do empate técnico com o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), que oscilou negativamente de 9% para 7%. A ex-senadora Marina Silva (Rede) recebeu 6% das preferências dos votos, o que confirma sua tendência de queda. Há uma semana, tinha 9%, e na pesquisa de duas semanas atrás, 12%.
No pelotão de candidatos menos competitivos, Alvaro Dias (Podemos), João Amoêdo (Rede) e Henrique Meirelles (MDB), que estavam todos com 3% no último levantamento do Ibope, agora têm 2% cada um.
Cabo Daciolo (Patriota) manteve 1% e Vera (PSTU), que tinha 1%, não pontuou, juntando-se a Guilherme Boulos (Psol), João Goulart Filho (PPL) e Eymael (DC), que novamente ficaram com zero. Os entrevistados que disseram votar em branco e nulo são 14%; e 7% não sabem ou não responderam. Na última pesquisa estes grupos eram 19% e 7%, respectivamente.
A taxa de rejeição de Bolsonaro continua a maior: oscilou de 41% para 42%. A segunda maior agora é a de Haddad, que subiu seis pontos percentuais, de 23% para 29%, e é seguida pela de Marina Silva, com 26%, Geraldo Alckmin, com 20%, e Ciro Gomes, 19%. Meirelles aparece com 12%, Cabo Daciolo e Eymael, 11%, Boulos e Alvaro Dias, 10%, Vera Lúcia e Amoêdo, 9%, e Goulart, com 8%. De acordo com a pesquisa, 2% poderiam votar em todos e 9% não sabem ou não responderam.
Nas simulações de segundo turno, todas com Bolsonaro, só não há empate técnico quando a adversária é Marina Silva. O candidato do PSL tem 41% e a ex-senadora 36%. No levantamento anterior, os dois empatavam em 38%.
O capitão reformado do Exército empata em 38% com Alckmin, sem grande variação em relação à semana anterior, quando estava em ligeira desvantagem numérica (37% a 38%).
Bolsonaro também empata com Haddad em 40%. No levantamento anterior, estava à frente com os mesmos 40%, mas o petista tinha 36% das intenções de voto.
O presidenciável do PSL fica um ponto atrás quando o adversário é Ciro (40% a 39%), mas oscilou para cima, dentro da margem de erro em relação à semana passada, quando tinha 37%.
A pesquisa, contratada pela TV Globo e pelo jornal "O Estado de S.Paulo", entrevistou 2.506 eleitores e foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-09678/2018.