Título: Crítica mal recebida
Autor: Lyra, Paulo De Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 14/08/2012, Economia, p. 12

O governo não gostou das críticas tornadas públicas ontem por cinco das maiores centrais sindicais, que questionam a forma como o Executivo tem conduzido as negociações com servidores grevistas. Em manifesto conjunto, Força Sindical, CUT, UGT, CTB e Nova Central, dizem que "a saída para a paralisação está na disposição das partes se sentarem à mesa e negociarem até a exaustão, tendo como perspectiva a solução rápida do conflito".

A nota reflete o estranhamento entre sindicalistas e a presidente Dilma Rousseff, que determinou a seus assessores que excluíssem as centrais do diálogo com servidores grevistas. Para o Planalto, negociações separadas com cada sindicato enfraqueceriam o movimento nacional, o que, no entanto, ainda não ocorreu.

Temendo perder espaço entre o funcionalismo, as centrais ignoraram a orientação do Partido dos Trabalhadores (PT) e atacaram o governo. As entidades dizem "repudiar todas as formas de autoritarismo no trato com reivindicações legítimas dos trabalhadores e trabalhadoras do setor público", e pedem "solução rápida do conflito, reduzindo os prejuízos causados aos próprios servidores e à população".

Um ponto específico do documento irritou o governo: o que alega falta de diálogo com os sindicatos. "É justamente a falta de negociação entre as partes — postura adotada pelos governos passados — que gerou o descontentamento generalizado dos servidores, há décadas submetidos a uma política de desvalorização da carreira de servidor e de arrocho salarial", diz a nota. "Dizer que não houve diálogo é um absurdo", protestou uma fonte do Ministério do Planejamento. "Nos últimos meses, foram feitas mais de 170 reuniões com 36 sindicatos", afirmou. "Ninguém ficou sem conversar, pelo menos, quatro vezes", disparou.

» Previdência conjunta

Os funcionários públicos do Legislativo poderão ser atendidos pelas mesma regras do Fundo de Previdência Complementar dos Servidores (Funpresp) que valerão para o Executivo. A possibilidade foi confirmada ontem pelo ministro da Previdência, Garibaldi Alves, depois de se reunir com o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Inicialmente, a lei que trata da criação da previdência complementar do funcionalismo, aprovada no Congresso em maio, prevê a criação de três fundações, uma para cada poder. A ideia, agora, é manter juntos Executivo e Legislativo por dois anos, quando seria analisado o desmembramento. "O presidente Sarney foi receptivo à proposta. Agora, estimamos regulamentar o fundo até o dia 1 de janeiro", adiantou Garibaldi.