Título: Recessão ronda Zona do Euro
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Fonte: Correio Braziliense, 15/08/2012, Economia, p. 15
PIB do bloco de 17 países caiu 0,2% de abril a junho. Segundo analistas, próximo trimestre também será de queda da produção
Bruxelas – O Produto Interno Bruto (PIB) da Zona do Euro retrocedeu 0,2% entre abril e junho. Em seu conjunto ainda não está em recessão, tecnicamente definida por queda na produção em dois trimestres consecutivos. Mas, segundo analistas, não vai escapar dessa situação nos próximos meses.
A marca da economia do bloco é a gravidade da crise que atinge particularmente os países do sul: Portugal (com variação de -1,2%), Espanha (-0,4%), Itália (-0,4%), Chipre (-0,8%) e, sobretudo, Grécia, que teve a maior queda: 6,2% (leia quadro ao lado). De modo geral, os países do norte tiveram melhor desempenho entre os 17 que integram o bloco — a Suécia lidera a lista com 1,4% de alta. A Alemanha, com 0,3% de crescimento, e a França, sem variação, tiveram resultado melhor do que o previsto inicialmente.
Espanha, Itália, Portugal, Grécia e Chipre já estão afundados na recessão. Analistas preveem agravamento da situação. Se as previsões se concretizarem, a economia da Zona do Euro entrará oficialmente em recessão no próximo trimestre. A expectativa é de queda do PIB de 1% neste ano.
As economias do norte "não estão atingidas por medidas de austeridade nem pela queda do setor privado, que deprimem a demanda doméstica na periferia. As exportações de Alemanha e Holanda até mesmo se beneficiaram da crise", explica o analista Martin Van Vliet, da Global Economics.
Em termos anualizados, a variação do PIB no trimestre é ainda pior para vários países, como Portugal, que apresentou contração de 3,3% em comparação com o mesmo período do ano anterior, devido à forte queda da demanda interna.
O PIB espanhol caiu menos em termos anualizados do que em relação ao trimestre anterior: 0,1%. Mas o país enfrenta situação delicada desde a explosão da bolha imobiliária de 2008, que eliminou seu principal motor econômico, a construção. A taxa de desemprego está em 24,6%. Com elevado deficit público, os juros e o vencimentos de títulos têm levado a Espanha à beira da insolvência. O primeiro-ministro, Mariano Rajoy, chegou ao poder no fim do ano passado exatamente por conta desse quadro, que desgastou o governo anterior. Mas não tem obtido sucesso nas tentativas de equacionar a crise. É o mesmo caso do primeiro-ministro de Portugal, josé Passos Coelho, que chegou ao poder em junho de 2011.
O PIB do Reino Unido, que integra a União Europeia, mas não a Zona do Euro, teve queda de 0,7% trimestral no período abril-junho e já está há três meses consecutivos no vermelho.
As bolsas de valores europeias tiveram variação positiva ontem, o que indica que os resultados já eram esperados, mesmo nos países com pior desempenho. Em Frankfurt, o índice Dax 30 fechou em alta de 0,94%. Em Paris, o CAC 40 ganhou 0,7%. Em Londres, o índice FTSE-100, subiu 0,56%. O IBEX 35, de Madri, teve alta de 0,78%.
Crítica ao populismo
O ministro da Economia da Alemanha, Philipp Roesler, alertou contra o populismo no debate sobre a crise da Zona do Euro. Ele ressaltou o comprometimento do Partido Democrático Liberal (FDP), do qual faz parte, com a integração europeia. Disse também que a União Social Cristã (CSU), que, junto ao FDP, compõe a coalizão de apoio à chanceler Angela Merkel, precisa fazer com que seus membros moderem posições ou sejam isolados. Foi uma crítica ao ministro das Finanças da Bavária, Markus Soeder, que exigiu a saída da Grécia da Zona do Euro.