Título: Últimas defesas antes da nova fase
Autor: Campos, Ana Maria
Fonte: Correio Braziliense, 15/08/2012, Política, p. 2
Os marqueteiros Duda Mendonça e Zilmar Fernandes, além de José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete do ex-ministro dos Transportes Anderson Adauto, são os últimos réus que apresentarão as defesas no julgamento do mensalão em curso no Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois primeiros foram os responsáveis pela campanha vitoriosa que elegeu Luiz Inácio Lula da Silva presidente da República em 2002. O último era chefe de gabinete do primeiro ministro de Lula afastado do cargo, no início de 2004.
Depois de nove dias, nos quais os advogados apresentaram os argumentos na expectativa de absolver os 38 réus, o STF encerra a primeira etapa do julgamento e prepara-se para ouvir o que os ministros terão a dizer sobre o caso a partir de amanhã, com o início da leitura do relatório do ministro Joaquim Barbosa. Duda Mendonça é o réu cujos depoimentos, tanto na CPI dos Correios quanto na Justiça Federal, mais aproximaram a crise do mensalão do gabinete do ex-presidente Lula. Durante depoimento à CPI em agosto de 2005, ele admitiu ter recebido caixa dois na campanha presidencial, o que chegou a estimular a oposição a ensaiar um pedido de impeachment. A ausência de capacidade de mobilização nas ruas fez com que os oposicionistas recuassem da ideia.
No processo que está em julgamento pelo STF, Duda é acusado de receber pagamentos dentro do esquema de lavagem de dinheiro operado pelo empresário Marcos Valério. Por esse sistema, teriam sido enviados para o exterior, como caixa dois, aproximadamente R$ 10 milhões. A defesa do marqueteiro afirma que os argumentos para absolvê-lo independem do fato de o STF reconhecer a existência do mensalão. Os criminalistas que atendem Duda afirmam que, em primeiro lugar, ele recebeu os recursos por um serviço prestado antes do suposto esquema ser montado. E que o resultado — a campanha presidencial de Lula — foi entregue conforme o combinado. Além disso, os defensores pretendem mostrar que as contas nos paraísos fiscais para o recebimento das remessas feitas pelas empresas de Marcos Valério — a offshore Dusseldorf Company Ltd., nas Bahamas — foram abertas com o CPF e o passaporte do marqueteiro, eliminando a utilização de laranjas no processo. Pela tese dos juristas, essa medida comprovaria que Duda Mendonça não pretendia fazer algo "ilegal ou escondido".
A Procuradoria Geral da República identificou 53 operações de remessa de dinheiro para o exterior. Um dos doleiros acionados no esquema foi Jader Kalid Antônio, que contou ter sido procurado pela quadrilha de Valério e feito uma transferência de US$ 131,8 mil. Além disso, o marqueteiro afirma que boa parte dos recursos que chegaram à sua conta vieram de outras, abertas no exterior, o que eliminaria o crime de evasão de divisas. José Luiz Alves, ex-chefe de gabinete de Anderson Adauto, é acusado de lavagem de dinheiro. Na denúncia, ele é apontado como o responsável por promover os saques para o ex-ministro.