Valor econômico, v.18 , n.4482, 13/04/2018. Brasil, p. A4
Privatização é primeiro teste de novo ministro na política
Fábio Pupo
13/04/2018
Mencionado nos bastidores como um negociador duro e "sem jogo de cintura" para a política, o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, terá seu primeiro teste no novo cargo com as discussões sobre o projeto de desestatização da Eletrobras. Ele começou nesta semana o contato com parlamentares com o objetivo de fazer com que a proposta avance no Congresso.
"Vamos iniciar nesta semana uma interlocução com o relator e concentrar os esforços no Congresso para que a gente possa votar [o projeto de desestatização]", disse à imprensa após reunião ministerial com o presidente Michel Temer no Palácio do Planalto. Ainda ontem, ele teve uma reunião com o responsável pelo projeto na Câmara, o deputado José Carlos Aleluia (DEM-BA).
O encontro com Aleluia foi a segunda reunião de Guardia (de acordo com os registros da agenda do ministro) com um parlamentar após sua nomeação no novo cargo - antes disso, ele só havia se encontrado com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
Guardia colocou a desestatização da Eletrobras como uma de suas principais prioridades à frente da Fazenda. Apesar disso, a aprovação neste ano é vista com ceticismo nos bastidores e no mercado devido à resistência de parlamentares ao tema. O governo precisa de aval do Congresso para permitir a desestatização da Eletrobras por meio do projeto de iniciativa do Executivo hoje no Congresso.
Mesmo com as resistências, Guardia continua defendendo a desestatização dizendo que o processo fortalecerá o mercado de capitais, melhorará as finanças da empresa e ainda trará recursos aos cofres públicos.
Após seu nome ter sofrido resistência nos bastidores justamente por conta da suposta falta de "jogo de cintura" para a política, Guardia chamou para si a responsabilidade nas negociações na área econômica ao dizer que, se há algum problema de diálogo, a Fazenda terá que resolver. "Sabemos que a implementação [de medidas de interesse do governo] dependerá de mudanças legislativas e só será possível mediante atuação conjunta dos Poderes constituídos. Será crucial o diálogo com Legislativo", disse ele à imprensa na quarta.
O ministro também vem defendendo que tem experiência no diálogo e sugere que a fama de "duro" nos bastidores é por conta dos interesses fiscais. "Sempre tive interação com o Parlamento. [Mas] às vezes, de maneira serena e tranquila, cabe ao Ministério da Fazenda colocar a restrição orçamentária".