Correio braziliense, n. 20364, 21/02/2019. Cidades, p. 22
Secretaria produzirá livros didáticos
Cézar Feitoza
21/02/2019
Educação » A ideia da pasta é criar material escolar que possa ser complementado a plataformas digitais. Entretanto, 15 mil alunos da rede pública do Distrito Federal ainda não receberam as obras básicas para o ano letivo
A Secretaria de Educação anunciou que produzirá material didático próprio para a rede pública de ensino do Distrito Federal. Serão livros de ciências, português e matemática escritos e revisados por um grupo de 50 professores vinculados à pasta. Eles começarão a se encontrar em março no Centro de Aperfeiçoamento de Profissionais da Educação para a criação do material.
A proposta da Secretaria de Educação é produzir obras complementares a plataformas digitais, como um movimento para a “plena informatização das escolas públicas”. Segundo o secretário Rafael Parente, os novos livros didáticos não substituirão aqueles entregues pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE). “O livro que vem do FNDE não é o único utilizado nas escolas públicas do DF. Na maioria, as escolas têm outros cadernos e apostilas que tratam de temas mais específicos. Queremos criar e desenvolver, aos poucos, um material didático que seja nosso e se torne o livro principal, norteador da educação pública do DF”, explica Rafael.
Professores da rede pública de ensino do DF que quiserem participar da produção do livro serão submetidos a um processo seletivo. Os trabalhos devem começar em março, e a pasta estima que, em abril, o material chegue aos alunos. “Estamos firmando uma parceria para impressão, diagramação e ilustração. Acredito que o tempo não é curto para um projeto ainda incipiente, que vai ser aperfeiçoado no decorrer do tempo, em outras edições”, destaca o secretário de Educação.
Mestre em educação e professor do Departamento de Planejamento da Universidade de Brasília (UnB), Cleyton Hércules Gontijo considera pequeno o tempo para a produção, principalmente porque os educadores terão de escrever e revisar o conteúdo em horários alternativos, por não serem liberados de sala de aula. “É uma ideia boa. Toda ação que procura contextualizar a prática de ensino com a realidade do aluno é louvável. Mas é preciso muito cuidado, o tempo para uma produção dessas costuma ser extenso, de pelo menos seis meses”, alerta.
Os custos de produção serão bancados pelo orçamento da Secretaria de Educação, e a pasta tenta conseguir a destinação de emendas parlamentares de deputados distritais para complementar a receita. Segundo o governo, ainda não há custo previsto para a produção do material, tampouco se sabe a tiragem dele.
Remanejamento
Mesmo com um projeto de produzir novos materiais didáticos, 15 mil alunos da rede pública de ensino não receberam os livros básicos neste ano. O FNDE, responsável pelo repasse do material, enviou ao DF a quantidade de obras referentes à quantidade de alunos matriculados em 2017, ano em que havia menos estudantes na rede. O deficit aconteceu porque o Ministério da Educação se baseou nos últimos dados atualizados do Censo Escolar para realizar a compra.
Na tentativa de resolver o problema, a Secretaria de Educação tenta remanejar livros entre as escolas para que todos os alunos os recebam em até duas semanas. “Acreditamos que não temos livros suficientes, mesmo entregando o material que tenha sobrado em algumas escolas para as unidades que faltam. Recorremos ao FNDE para a compra de novo material, mas não temos prazo para a entrega. Infelizmente, prejudica a aprendizagem, mas entregamos material complementar para os alunos nessa quarta-feira (ontem), e os professores estão se adequando”, diz Rafael Parente.