Título: Apenas o primeiro passo
Autor: Castro, Grasielle ; Mariz, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 31/08/2012, Brasil, p. 8
A resolução do Conselho Federal de Medicina de estreitar a relação entre médico e paciente no âmbito da escolha sobre quando parar de interferir no processo irreversível de morte, apesar de ser classificada um avanço, é considerada por especialistas da área apenas um primeiro passo. A advogada Luciana da Dalto diz que ainda é preciso ampliar a proposta e levá-la ao legislativo. "Venho fazendo campanha para que as pessoas façam este tipo de documento há um tempo, mas é imprescindível que o Congresso legisle. Falta uma garantia de que o testamento vital será cumprido", alerta.
Para a especialista no tema, é preciso deixar claro que uma pessoa que sofre um acidente em Manaus, por exemplo, mas seu prontuário está em Brasília, vai ter o desejo respeitado. "A criação de um registro nacional do testamento vital é essencial. Esse cadastro seria online e sigiloso, de maneira que apenas com senha um médico saberia como agir", sugere.
A extensão do assunto também está sendo estudada pelo conselho. O órgão pretende adotar a postura dos Estados Unidos de colocar nos leitos um alerta aos médicos para que não ressuscite o paciente, caso seja essa a vontade dele. "Assim ficaria claro que aquele paciente já deu sua ordem. Os princípios éticos continuam firmes, o médico faz tudo pela vida e deve respeitar quando a chega a hora da morte", reforça o presidente do órgão, Roberto D"Ávila. (GC)