Título: Eleitorado religioso na mira de Serra
Autor: Mascarenhas , Gabriel
Fonte: Correio Braziliense, 01/09/2012, Política, p. 6

Principal adversário de Celso Russomanno (PRB) na disputa pela prefeitura de São Paulo até o momento, José Serra (PSDB) voltou as energias para pedir benção e votos a segmentos da Igreja Católica na busca por um lugar no segundo turno. Ambos já disputam a preferência do eleitorado religioso, setor em que o terceiro colocado na corrida, Fernando Haddad (PT), encontra menos simpatizantes. Russomanno, candidato ligado umbilicalmente aos evangélicos, lidera a corrida, com 31% das intenções de voto, seguido pelo tucano, que tem 20%, e pelo petista, com 16%.

Na semana em que Serra viu Russomanno se isolar na liderança e Haddad saltar de 9% para 16%, Serra acompanhou a missa do padre Marcelo Rossi no Santuário Terço Bizantino, Zona Sul da cidade, na noite de quinta-feira. O tucano, que também conta com apoio de uma ala dos fiéis da Assembleia de Deus, chorou e ouviu do padre que a porta do templo estava aberta para todos, mas que "amigo é amigo" — ontem, em visita à Associação de Pais de Alunos Excepcionais (Apae), ele também se emocionou. Quando Haddad esteve na mesma igreja, em maio, Marcelo Rossi não compareceu, e a cerimônia foi celebrada por dom Fernando Figueiredo.

Padres Ontem, o representante do PRB também se movimentou na direção dos católicos. Reuniu-se com 50 padres e aproveitou para negar que o fato do partido ser presidido por um bispo da Igreja Universal do Reino de Deus influenciará seu governo, caso seja eleito.

Coordenador da campanha tucana na capital paulista, o deputado federal Edson Aparecido afirma que Serra tem ligação histórica com a Igreja Católica, desde a época em que militava no movimento estudantil, e diz que a ideia agora é avançar, conquistando apoio de personalidades importantes. "Quando era prefeito e governador, Serra manteve parcerias importantes com as igrejas, que atuavam em programas sociais, como de combate ao consumo de drogas e álcool. Nesse momento, estamos tentando capitalizar essa relação construída", argumentou Aparecido.

Haddad encontra resistências entre setores religiosos. Ela era o ministro da Educação quando a pasta lançou o chamado kit anti-homofobia, com vídeos sobre relações homossexuais para serem exibidos e debatidos nas salas de aula. O vereador Antônio Donato, coordenador da campanha petista, diz não acreditar que os religiosos se pautem pela orientação política de seus líderes, mas confirma que Haddad vem se encontrando com lideranças religiosas ao longo da campanha.