Título: Partidos decidem parar CPI até o fim da eleição
Autor: Valadares, João
Fonte: Correio Braziliense, 05/09/2012, Política, p. 4
Líderes fecham "acordão" para evitar que investigações da comissão de inquérito prejudiquem legendas e candidatos
A CPI do Cachoeira, que se arrasta há quatro meses, está suspensa. Até o fim do primeiro turno das eleições municipais, não vai ocorrer nenhum depoimento ou reunião administrativa. Apenas trabalhos internos. As investigações, que deveriam ser concluídas até 4 de novembro, devem ter o prazo de conclusão prorrogado. Dessa forma, o desfecho pode ficar para o próximo ano. A decisão foi tomada na tarde de ontem, após um acordo entre líderes governistas e oposicionistas, com um único objetivo: evitar que as informações colhidas tragam prejuízos eleitorais aos candidatos dos mais diversos partidos políticos.
Oficialmente, o presidente da comissão, senador Vital do Rêgo (PMDB), e o relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), alegaram, além da falta de quórum, a contaminação das sessões pelo clima eleitoral que se instalou no Congresso Nacional.
O relator vai aproveitar a suspensão para preparar um balanço dos trabalhos desenvolvidos e um esboço do relatório. "Quero apresentar esse balanço na primeira semana de outubro. O relatório será apenas um aprofundamento da questão financeira do grupo criminoso." Ele adiantou que, nesse documento preliminar, não vai sugerir o indiciamento de ninguém.
Apenas o líder do PPS na Câmara,deputado Rubens Bueno (PR), protestou contra o que chamou de "acordão". Ele foi o primeiro a deixar a reunião de lideranças. Visivelmente irritado, disse que a CPI estava sendo enterrada e sugeriu que há um temor generalizado por causa das eleições. "Isso é uma vergonha. Não posso aceitar isso. Jogaram uma pá de cal na CPI", reclamou.
O vice-presidente da comissão, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), explicou que, na verdade, as reuniões e depoimentos eram prejudicados pelas brigas partidárias. "Existe uma preocupação para que a CPI não seja contaminada por esse clima eleitoral. Não há temor em relação às investigações".
Ausência estratégica O deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO), que havia dito que queria falar na CPI, não apareceu para prestar depoimento. Apenas encaminhou uma carta à comissão alegando que estava resolvendo "problemas pessoais inadiáveis" e se colocou à disposição para depor a partir do dia 18 de setembro. No entanto, o parlamentar só será ouvido no dia 9 de outubro. Após ser flagrado em 100 ligações telefônicas com o bicheiro Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, a Corregedoria da Câmara abriu investigação contra o parlamentar.
O ex-funcionário da empreiteira Delta André Teixeira Jorge, uma espécie de "faz-tudo", segundo a Polícia Federal, também deveria prestar depoimento ontem. No entanto, apresentou um habeas corpus da Justiça para permanecer calado e foi dispensado. Conforme a Polícia Federal, a evolução patrimonial e as movimentações financeiras de Teixeira Jorge são incompatíveis com os rendimentos declarados ao Fisco.
"Isso é uma vergonha. Jogaram uma pá de cal na CPI" Rubens Bueno (PR), líder do PPS na Câmara