Título: Sem spread, país melhora
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 05/09/2012, Política, p. 13
A conquista de cinco posições no ranking global de competitividade colocou o Brasil, pela primeira vez, na lista das 50 economistas mais competitivas do mundo. É o que revela a última edição do Relatório Global de Competitividade, divulgado ontem pelo Fórum Econômico Mundial. Em 2011, o país figurava na 53ª colocação entre os 144 países avaliados e agora ocupa a 48ª posição, ultrapassando África do Sul, Hungria, Sri Lanka, Portugal e Chipre.
O resultado inédito, porém, só foi possível com a mudança de metodologia utilizada. Antes considerado na avaliação, o spread bancário %u2014 diferença entre o que os bancos pagam na captação de recursos e o que cobram ao conceder um empréstimo %u2014 foi retirado a partir deste ano. %u201CEra um indicador que não vinha sendo usado de maneira igual em todos os países, causando disparidades. Como o Brasil tem um dos maiores spreads do mundo, a retirada desse fator o favoreceu%u201D, pondera Carlos Arruda, coordenador do núcleo de inovação da Fundação Dom Cabral (FDC), instituição responsável pela coleta e pela análise de dados no Brasil.
Não foi por acaso que o país saltou da 115ª posição para a 62ª, ganhando 53 colocações no indicador que avalia o ambiente macroeconômico. %u201CDas cinco posições conquistadas no ranking geral, quatro foram consequência dessa mudança brusca. Caso contrário, o país teria ganho apenas uma posição%u201D, avalia Arruda. Nem mesmo o corte de cinco pontos percentuais da taxa básica de juros %u2014 que vem sendo promovido pelo Comitê de Política Monetária (Copom) há um ano %u2014 com o consequente barateamento do crédito, teria efeito semelhante.