Título: PT enfrenta risco de encolher no Nordeste
Autor: Correia, Karla
Fonte: Correio Braziliense, 09/09/2012, Política, p. 5
PT enfrenta risco de encolher no Nordeste
Partido terá dificuldades para eleger prefeitos em Fortaleza e no Recife, cidades que já administra. Ausência do ex-presidente Lula na região torna o cenário ainda mais dramático
O mesmo PT que emergiu em 2008 à frente das prefeituras de sete das 26 capitais estaduais do país — o maior número entre os partidos — encara, nas eleições deste ano, a possibilidade real de encolhimento nas administrações municipais. Essa hipótese preocupa a legenda, sobretudo na Região Nordeste, base eleitoral do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva herdada por Dilma Rousseff em 2010. A situação tende a ficar ainda mais calamitosa com a decisão de Lula de restringir suas visitas ao Nordeste a Salvador, sem comparecer às demais capitais onde a legenda disputa as eleições de outubro.
Hoje, o PT comanda duas capitais na região: Recife, onde o petista Humberto Costa foi recentemente ultrapassado pelo oponente Geraldo Júlio (PSB), e Fortaleza, que vê o democrata Moroni Torgan liderar as pesquisas, com 25% das intenções de voto. Apesar dos esforços da prefeita Luizianne Lins (PT), o candidato petista Elmano Freitas está em terceiro lugar, com 15%.
Ainda assim, os petistas depositam suas fichas no crescimento do candidato da legenda, que conseguiu chegar a 16% no último levantamento do Ibope, divulgado no fim de agosto, e colocam Fortaleza como uma das promessas de vitória na campanha deste ano. A capital cearense divide as apostas do partido com Salvador, onde Nelson Pellegrino está em segundo lugar, com 16% das intenções de voto, mas tem de enfrentar os 40% de seu principal oponente, ACM Neto (DEM), ainda de acordo com o Ibope. "Tanto em Fortaleza, quanto em Salvador, o partido tem apresentado um crescimento contínuo, com chances reais de levar as eleições para segundo turno para, a partir disso, virar o placar", avalia o vice-presidente nacional da legenda, deputado José Guimarães (CE).
Recife, onde a executiva nacional interveio para retirar a candidatura do atual prefeito, João da Costa (PT), e impor o nome de Humberto Costa, é considerado carta fora do baralho por petistas do estado. Humberto apoiava-se na presença de Lula para reverter o cenário. As chances, agora, minguaram de vez. "A intervenção (para retirada da candidatura do atual prefeito João da Costa) foi desastrosa e terá repercussão em todo o estado", acredita o deputado Fernando Ferro (PE). "Além do partido estar desmobilizado e dividido em Pernambuco, o diretório nacional tem priorizado o fluxo de recursos para a capital, deixando em segundo plano cidades importantes do interior", explica.
A avaliação do deputado pernambucano aponta para uma das razões que tem levado o PT a temer a perda de eleitorado no Nordeste. As dificuldades enfrentadas pelo partido são creditadas pelos próprios petistas, em boa parte, às divisões internas da legenda. O Recife é citado como o exemplo máximo dos efeitos negativos dessa cisão nos planos de expansão da sigla, mas, em Fortaleza, a legenda também enfrenta os resultados da falta de consenso entre a executiva nacional e o diretório estadual.
Avanço Outra razão é o avanço do PSB. Aliados na base de sustentação do governo Dilma, os socialistas preferiram achar seu próprio rumo nos casos em que o PT rachou internamente — como no Recife e em Fortaleza. Na capital pernambucana, Geraldo Júlio, que conta com o envolvimento pessoal do governador do estado e presidente do PSB, Eduardo Campos, em sua campanha, lidera a disputa com 34% das intenções de voto. Em Fortaleza, Roberto Cláudio assumiu o segundo lugar com 16%.
"É um movimento natural da política. Onde um partido deixa um espaço vazio, certamente virá outro para preenchê-lo. O PSB não deve ser visto como um vilão que rouba espaços do PT, ele apenas aproveita as chances abertas pelos nossos erros", observa um petista. "Somos uma força muito grande no Nordeste. Estamos apenas ocupando um espaço que já era nosso", contrapõe o vice-presidente do PSB, Roberto Amaral.
A necessidade de manter inteiras as pontes entre as legendas e o peso da eleição no Nordeste para 2014 levaram Lula a articular um encontro com Eduardo Campos em São Paulo, marcado para o próximo dia 16, no Instituto Lula. A reunião selará a participação de Campos na campanha do petista Fernando Haddad na capital paulista. Outra liderança de peso no PSB, o governador do Ceará, Cid Gomes, também participará da conversa.
Além de reforçar a presença do PSB na campanha de Haddad, o encontro pretende aplacar a tensão instalada na relação entre os dois partidos por conta dos duelos em Belo Horizonte, no Recife e em Fortaleza, e garantir que a aliança PT-PSB resista ilesa até 2014. "Não há razões para fazer de disputas locais um problema nacional. Apoiamos o PT em mais campanhas do que eles nos apoiam. Somos aliados da presidente e, em princípio, apoiamos sua candidatura à reeleição", diz Roberto Amaral. "Digo a princípio porque, em política, tudo é em princípio."
Tanto em Fortaleza, quanto em Salvador, o partido tem apresentado um crescimento contínuo e tem chances reais de levar as eleições para segundo turno" José Guimarães, vice-presidente nacional do PT
Cristovam faz campanha em Pernambuco
O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) participou ontem, pela primeira vez, da campanha do candidato do PSB à prefeitura do Recife, Geraldo Júlio. Acompanhados pelo governador Eduardo Campos e pelo senador Jarbas Vasconcelos, eles fizeram uma caminhada pelas ruas de Casa Amarela, bairro na região norte da capital. O vice-governador João Lyra Neto também participou do evento. A programação começou em frente ao Bar da Mira, tradicional reduto da comida regional pernambucana, e seguiu até o Mercado de Casa Amarela. (Da equipe do Diario de Pernambuco)