Título: Modo Dilma de demitir
Autor: Cruvinel, Tereza
Fonte: Correio Braziliense, 12/09/2012, Política, p. 3
Na fase da chamada "faxina ética", a presidente Dilma Rousseff fritou em fogo alto, até a carbonização, os cinco ministros acusados de irregularidades que veio a demitir.
Nelson Jobim, por outras razões, foi dispensado da Defesa com rispidez lacônica, embora ela tenha lhe dado antes uma chance de se manter no cargo. Apenas Antonio Palocci mereceu alguma consideração, embora muita gente no PT ache que, permitindo que ele tentasse se defender no cargo, ela contribuiu para inviabilizar sua permanência na Casa Civil, livrando-se de uma figura forte, à qual devia gratidão de campanha, que não desejava ter no círculo palaciano. Em seu lugar, ela colocou a dócil Gleisi Hoffmann.
O modo Dilma de fritar e demitir rendeu-lhe popularidade, mas também deixou sequelas na base parlamentar governista. O PR não engoliu até hoje o modo pelo qual Alfredo Nascimento foi afastado da pasta dos Transportes, assim como uma banda do PDT ficou ressentida com a longa fritura de Carlos Lupi, então ministro do Trabalho.
Método Com Ana de Hollanda, o script foi diferente, mas o método foi o mesmo. Desde o início, ficou claro que ela não tinha perfil para ocupar a pasta, mas não foi demitida por isso. Só foi tirada do cargo agora, para garantir o apoio da senadora Marta Suplicy ao candidato petista em São Paulo, Fernando Haddad. Ana passou dois anos exposta às críticas do meio artístico-cultural e desprestigiada na Esplanada dos Ministérios, onde os sinais de debilidade de um ministro costumam levá-lo ao purgatório em vida: verbas são cortadas e descortesias são perpetradas. Esse comportamento, que é da cultura de governo, ganhou força no governo Dilma.
A irmã de Chico Buarque de Hollanda — que não tem nada a ver com sua indicação e até está apoiando o candidato Marcelo Freixo (PSol), no Rio de Janeiro, contra o candidato governista, Eduardo Paes (PMDB) — via o tempo passar na janela enquanto Dilma tinha conversas reservadas com Marta no Alvorada, acertando sua ida para o cargo. Embora tenha sempre vivido na corda bamba, Ana não pensava em ser substituída antes de uma reforma ministerial esperada para depois da eleição. Quando foi chamada para uma audiência no Planalto, sua saída, bem como a escolha de Marta como substituta, já circulavam nos noticiários on-line. Dilma poderia ter lhe dado uma chance de construir a própria saída, apresentando uma carta de demissão com uma desculpa qualquer, como tantos presidentes já fizeram para se livrar de auxiliares.
Com seu método de dispensar, Dilma espalha brasas e ressentimentos, contrariando um ensinamento de Maquiavel: o de que o príncipe deve afastar os súditos indesejáveis fazendo com que eles partam lembrando-se mais do benefício recebido, o que gera gratidão, e não rancor.
16 Número de mudanças ministeriais ocorridas no governo Dilma