Título: FMI quer dinheiro de emergentes
Autor:
Fonte: Correio Braziliense, 12/09/2012, Economia, p. 13

Em troca de recursos, diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional oferece mais poso nas decisões

Preocupada com a crise e receosa de que o Fundo Monetário Internacional (FMI) perca influência, a diretora-gerente da entidade, Christine Lagarde, começou uma campanha em busca de recursos. O objetivo é atrair os emergentes, nações que estão em melhor situação que algumas das mais importantes economias do mundo. A executiva quer dar mais voz a esses países em troca de novos aportes de capital, mas para isso precisa ampliar a quota deles no fundo. Caso consiga essa mudança, irá duplicar o tamanho do FMI, que chegará a US$ 767 bilhões. A decisão, porém, depende da vontade dos Estados Unidos, dono de 16,7% da quotas e do poder de veto.

Em comunicado divulgado ontem, Lagarde pediu urgência na "reforma das cotas" para que possa dar mais peso às economias emergentes. "Faço um chamado urgente aos Estados-membros que ainda não o fizeram para que tomem rapidamente as medidas necessárias", declarou. A executiva, no documento, ainda celebrou os progressos feitos até o momento, com a adesão da maioria dos integrantes do fundo: 102 deles, donos de 65,9% dos votos, assinaram o acordo. O problema, porém, é que as regras do FMI determinam que essa mudança ocorra apenas quando se conseguir a anuência de 113 dos 118 participantes, o equivalente a 85% do direito a voto no conselho diretivo.

Além de convencer mais 11 países a ampliar os poderes dos emergentes, Lagarde precisa fazer com que os Estados Unidos não exerçam o veto, uma decisão que cabe ao Congresso norte-americano. Analistas ponderam, no entanto, que dificilmente esse pleito será analisado pelos parlamentares a tempo, já que a data-limite para a mudança é a reunião do FMI de Tóquio, no Japão, entre 12 e 14 de outubro. Com as eleições presidenciais dos EUA no início de novembro, os dois partidos que dominam o Congresso e a política do país estarão mobilizados até lá para eleger seus candidatos: Barack Obama pelos Democratas e Mitt Romney pelos Republicanos.

A urgência de Lagarde se explica principalmente pela crise do euro, que tem demandado mais recursos do que o fundo e o Banco Central Europeu dispõem. No início de outubro, o FMI e outros credores da Grécia terão de decidir mais uma vez como e se continuam apoiando o país. A expectativa é de um acordo, sobretudo porque os gregos têm cooperado e acatado as determinações impostas pelos credores. A situação econômica da região, no entanto, é considerada delicada, e os especialistas não descartam uma saída da Grécia do euro ainda este ano. Se o país abandonasse o bloco, outros países seriam contaminados e dificilmente o FMI teria condições de ajudar com os recursos que possui hoje.