Correio braziliense, n. 20462, 30/05/2019. Brasil, p. 5

 

Mudança no Minha Casa

Augusto Fernandes

30/05/2019

 

 

O governo federal decidiu rever a distribuição dos R$ 52,3 bilhões do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) destinados ao orçamento operacional do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) em 2019, e remanejou os valores repassados a cada uma das 27 unidades da Federação. Com a decisão, 11 estados terão um aporte maior do que o definido no fim do ano passado pelo extinto Ministério das Cidades. O maior aumento foi para Goiás, que terá R$ 3,8 bilhões à disposição — ante R$ 1,5 bilhão anteriormente. O montante que cabe ao Distrito Federal caiu de R$ 972 milhões para R$ 704,2 milhões.

A decisão partiu do ministro do Desenvolvimento Regional, Gustavo Canuto, que publicou as alterações no Diário Oficial da União de ontem. Ele antecipou-se aos protestos de moradores de Goiás que, também ontem, foram à Esplanada reivindicar mais recursos para obras do MCMV no estado. Os manifestantes ocuparam o prédio do ministério e, à tarde, foram chamados para uma reunião com o secretário nacional de Habitação, Celso Toshito Matsuda, que apresentou a medida.

“É um passo muito importante para nosso estado. Com esse novo montante, poderemos movimentar toda a cadeia produtiva. Certamente, teremos resultados positivos para trabalhadores, empresários, e, principalmente, para os moradores que aguardam a liberação para, enfim, ocupar as casas que compraram”, disse o secretário de Habitação de Águas Lindas de Goiás, Giovanne Machado.

Giovanne cobrou do ministério uma nova metodologia para a definição do orçamento do MCMV para cada estado. “Goiás é uma das unidades da Federação que mais investe nesse programa, mas todo ano enfrentamos falta de recursos. Gostaríamos que os valores repassados fossem condizentes com o quanto cada estado precisa para o MCMV”, explicou. A proposta será analisada pelo ministério.

A mobilização de ontem reuniu pelo menos 5 mil pessoas, na conta dos organizadores. Dono de uma construtora em Trindade, Deilson Martins, 46 anos, disse que, com a falta de obras, teve de reduzir o quadro de funcionários de 25 para seis. “Em situações normais, eu teria entregue de duas a quatro casas por mês, mas, neste ano, ainda não consegui vender nenhuma. Tive de me desfazer de bens pessoais para manter o negócio”, reclamou. “Espero que, agora, a demanda aumente e eu possa voltar ao ritmo de antes. Caso contrário, terei de fechar as portas.”