Título: Serra ataca PT com o mensalão
Autor: Abreu, Diego
Fonte: Correio Braziliense, 08/09/2012, Política, p. 5
Em programa eleitoral, o candidato tucano à prefeitura de São Paulo relacionou o julgamento ao adversário Fernando Haddad. Em resposta, o petista disse que o rival baixou o nível e considera o ato uma ofensa pessoal
A um mês do primeiro turno das eleições municipais, o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, citou pela primeira vez o julgamento do mensalão em sua propaganda eleitoral que foi ao ar ontem, no feriado do Dia da Independência. O tucano fez ataques diretos ao PT, partido de Fernando Haddad, seu principal adversário na corrida rumo ao segundo turno. Conforme pesquisa divulgada pelo instituto Datafolha, no último dia 5, Celso Russomanno (PRB) aparece com folga em primeiro lugar com 35% das intenções de voto, seguido por Serra (21%) e Haddad (16%) — a margem de erro é de três pontos percentuais.
No horário eleitoral, o candidato do PSDB foi direto. "Não adianta dizer que faz o bem, agindo mal", afirmou Serra, referindo-se à propaganda de Haddad, que citou melhorias que o governo federal levou à capital paulista. "Eu falo isso porque São Paulo e o Brasil estão vendo o STF julgar o mensalão, mandando para a cadeia um jeito nefasto, maléfico de se fazer política", acrescentou o tucano, antes de desferir outros ataques ao concorrente petista. Durante a campanha, Serra já havia dito que não enxergava problema no fato de explorar o mensalão, uma vez que, segundo ele, o assunto é comentado por toda a população em meio ao julgamento que está em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF).
A referência de Serra ao mensalão foi feita com o intuito de atingir o PT. No entanto, um dos réus na ação penal julgada pelo Supremo é o deputado federal Valdemar Costa Neto (PR-SP), que apoia a candidatura do tucano à prefeitura paulistana. O Partido da República (PR) integra a coligação de Serra. Na época em que o mensalão foi denunciado, a legenda, ainda com o nome de Partido Liberal (PL), teria recebido R$ 8 milhões das agências do empresário Marcos Valério, por meio de Valdemar.
O candidato do PT a prefeitura, Fernando Haddad, comentou que o rival baixou o nível da campanha ao levar o mensalão para o horário eleitoral. "Em vez de justificar o legado que estão deixando para a cidade, ele parte para uma ofensiva pessoal que não vai levar a nada e não diz respeito à nossa candidatura", reagiu Haddad, após participar de carreata na Zona Sul.
Para o deputado Carlos Zarattini (PT-SP), a exploração do tema mensalão por Serra demonstra um "desespero de quem está caindo nas pesquisas". "É uma tática desesperada para tentar conseguir votos antipetistas. Mas não adianta ele falar, porque todos sabem do mensalão do Azeredo em Minas e do envolvimento de Carlinhos Cachoeira com o governador de Goiás que é do PSDB, o Marconi Perillo", frisou o parlamentar petista.
O cientista político Carlos Mello, professor do Instituto de Ensino e Pesquisa de São Paulo, considera também que o tucano adotou uma estratégia de desespero. "O Serra pretende tirar voto de alguém, mas acho uma estratégia errada focar no PT. Ele está adiantando o que deveria fazer no segundo turno, pois está com medo de perder a segunda vaga para o Haddad", opinou Mello. "Se o Lula não foi identificado com o mensalão logo depois do escândalo, em 2006, por que o Haddad seria identificado com o mensalão em 2012?", completou.
O líder do PSDB no Senado, Alvaro Dias (PR), defende o uso do mensalão na propaganda. "O horário eleitoral é o instrumento para mostrarmos à população esse modelo usado pelo PT, que estabelece a promiscuidade entre o setor público e privado."