Título: A Espanha tem pressa
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Fonte: Correio Braziliense, 08/09/2012, Economia, p. 13

A Espanha quer conhecer as condições às quais terá de se submeter antes de pedir um resgate, disse ontem o chanceler espanhol, José Manuel García Margallo. Ele quer que as medidas anunciadas pelo Banco Central Europeu sejam colocadas em prática com rapidez. "É preciso saber quais são as condições e analisá-las para decidirmos", afirmou o chancler em Pafos, um balneário exclusivo no Chipre, onde está reunido com seus colegas da União Europeia. "O fato de que apenas algumas palavras devolveram a calma demonstra que é isso que é preciso fazer, que só faltava coragem e decisão política", complementou.

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou, na quinta-feira, compras ilimitadas de bônus da dívida soberana, com vencimentos entre um e três anos. Serão beneficiados os países da Zona do Euro que fizerem essa solicitação, sob estritas condições. A medida, anunciada pelo presidente da instituição, Mario Draghi, foi recebida com fortes altas nas bolsas e com uma redução das taxas pelas quais são negociadas as dívidas dos países mais atingidos pela crise, como Espanha e Itália. No fechamento, Madri terminou com forte alta, de 4,91%, e Milão registrou ganho de 4,31%. Londres subiu 2,11% , Paris avançou 3,06% e Frankfurt subiu 2,91%. No mercado da dívida, os bônus espanhóis de 10 anos caíram para 6,030% (contra 6,409% ) e as da Itália, que estavam a 5,261%, para 5,514%.

A iniciativa do BCE visou combater o forte diferencial entre as taxas exigidas pelos mercados a esses países e as pagas por aqueles que ostentam economias mais sólidas, como a Alemanha. O programa de compra de dívida, batizado Outright Monetary Transactions (Transações Monetárias Diretas), foi lançado devido às "perturbações graves observadas no mercado da dívida pública que provêm de temores infundados por parte dos investidores sobre a reversibilidade do euro", disse Draghi.