Título: BC tenta segurar o dólar
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 13/09/2012, Economia, p. 12
Preocupado com emissão monetária nos EUA, governo intervém no mercado para evitar alta do real. Objetivo é proteger a indústria
Preocupado com a possibilidade de o Federal Reserve (Fed, banco central dos EUA) dar início a uma nova rodada de emissão de moeda para estimular a economia norte-americana, a autoridade monetária brasileira voltou a intervir ontem no mercado de câmbio. O objetivo foi garantir que a cotação do dólar se mantenha acima de R$ 2. Ontem, em uma operação conhecida como swap cambial reverso — equivalente à compra de US$ 1,4 bilhão no mercado futuro —, o BC do Brasil demonstrou mais uma vez que não está disposto a deixar a moeda flutuar de maneira semelhante ao que ocorre em outros países.
A ação foi uma resposta antecipada a uma medida do Fed conhecida como Quantitativie Easing, que na prática funciona como uma injeção gigantesca de dólares na economia norte-americana e mundial. Para analistas, há chances de isso ocorrer hoje ou, no mais tardar, em dezembro.
Caso o Fed adote realmente essa estratégia, uma oferta excessiva de dinheiro deixaria o dólar mais barato comparado ao real. O governo brasileiro, no entanto, quer que a divisa permaneça próxima a R$ 2 para garantir competitividade à indústria brasileira. Os empresários se queixam da perda de mercado para os produtos importados, que entram no país a preço inferior ao da produção doméstica.
Gogó A maioria dos analistas, porém, aposta que o Quantitativie Easing deve ser deixado para dezembro, depois das eleições presidenciais nos Estados Unidos. Eles acreditam que Ben Bernanke, o presidente da instituição, comunicará que vai manter os juros básicos do país entre 0% e 0,25% até meados de 2015. Antes, ele havia dito que a taxa permaneceria nesse nível até 2014. Para Luís Otávio de Souza Leal, economista-chefe do banco ABC Brasil, se não for anunciada nova injeção de capital, as bolsas podem cair, mas não de maneira intensa. "Depois os mercados devem se reanimar com a perspectiva de que esse anúncio seja feito em dezembro", avaliou. "O Bernanke vai tentar segurar o mercado no gogó", concluiu.
» BCE no comando
O Banco Central Europeu (BCE) pode se tornar o supervisor bancário da Zona do Euro, segundo plano apresentado ontem, para evitar que os países arquem com a crise do setor financeiro. A iniciativa — que tem oposição da Alemanha— quer dar ao BCE poderes sobre 6 mil bancos e blindar os Estados ante uma nova crise bancária. "Queremos romper o círculo vicioso entre bancos e emissores soberanos", disse o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Barroso. "No futuro, as perdas dos bancos não se converterão em dívida para o povo, pondo em risco a estabilidade financeira de países inteiros", completou.