Valor econômico, v.19, n.4651, 17/12/2018. Brasil, p. A4
Maranhão concentra municípios pobres do país
Bruno Villas Bôas
17/12/2018
Durante a recessão, o Maranhão ampliou sua indesejável liderança no ranking das unidades da federação que mais concentram municípios pobres no país, considerando o critério de Produto Interno Bruto (PIB) per capita. Dos cem municípios com piores indicadores, 46 eram maranhenses em 2016. Dois anos antes, o Estado respondia por 44 municípios dessa lista.
Dados compilados pelo Valor na pesquisa "Produto Interno Bruto Municipal 2016", divulgada sexta-feira pelo IBGE, mostram que mais cinco Estados do Nordeste têm representantes nessa lista: Bahia (23), Piauí (11), Ceará (7), Alagoas (4) e Pernambuco (3). Desta forma, dos cem municípios que menos geram riquezas por morador, 94 estavam do Nordeste naquele ano.
Novo Triunfo, no nordeste baiano, era o município com pior renda per capita do país. O valor do PIB local dividido por seus cerca de 16 mil habitantes resultava em R$ 3.190,57 em 2016. É um valor anual. Dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que o município tinha 2.099 beneficiários do programa Bolsa Família em 2016, algo como 15% da população.
Na sequência do ranking de menores PIBs per capita do país aparecem dois municípios maranhenses: Nina Rodrigues (R$ 4.282,6%) e Penalva (R$ 4.530,24). Dados do IBGE mostram que a economia das duas cidades girava em torno da administração pública, que respondia por cerca de 60% da geração de riquezas locais.
Para além do Nordeste brasileiro, o ranking dos cem piores PIBs per capita do país conta ainda com quatro municípios do Amazonas (Ipixuna, São Paulo de Olivença, Santa Isabel do Rio Negro e Urucurituba), um do Pará (Cachoeira do Piriá) e mais um de Minas Gerais (São João das Missões, localizado perto da divisa com a Bahia, às margens do rio São Francisco).
No outro extremo desse ranking, os grandes geradores de riqueza per capita do país são municípios com população pequena e grandes empreendimentos - como hidrelétrica, refinaria ou petroquímica. Sede da Refinaria de Paulínia (Replan, da Petrobras), o município paulsita de Paulínia passou a liderar esse ranking nacional em 2016, com PIB per capita de R$ 314.637,69
O segundo colocado da lista dos mais ricos - pelo critério de PIB per capita - é Selvíria, no Mato Grosso do Sul, com uma geração de R$ 306.138,63 por habitante. Mas não foi o agronegócio que alçou o município ao segundo lugar da lista, mas a riqueza gerada pela Hidrelétrica de Ilha Solteira, na divisa com o Estado de São Paulo.
Os municípios grandes produtores de petróleo, que se destacaram ao longo de anos na pesquisa, perderam espaço em 2016. Presidente Kennedy (ES), primeiro lugar em 2015, caiu para a 17ª posição em 2016. São João da Barra (RJ) caiu da nona para a 51ª posição, com PIB per capita de R$ 111.529,40. Ilhabela (SP) foi a 67ª com R$ 91.873,77.
A pesquisa mostrou ainda que, na crise, mais municípios tornaram-se dependentes da administração pública. Dos 5.570 municípios do país, 3.062 (55% do total) tinham administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social como principal atividade em 2016. No ano anterior, esse percentual era menor, de 45,1% (2.511).
Na média nacional, a administração pública respondia por 17,2% do valor adicionado bruto do país (basicamente o PIB sem os impostos). Das 27 capitais brasileiras, 15 tinham percentual superior à média nacional de peso do setor público. O grande destaque, claro, é Brasília, onde 44,7% do valor adicionado vem da administração pública.