Título: Jefferson internado
Autor: Maakaroun , Bertha
Fonte: Correio Braziliense, 15/09/2012, Política, p. 7

Na próxima semana, o Supremo Tribunal Federal (STF) começa a julgar o núcleo político do mensalão, que envolve o ex-chefe da Casa Civil José Dirceu, o ex-deputado Roberto Jefferson e o ex-presidente do PT José Genoino, entre outros acusados. A três semanas das eleições municipais, essa fase do julgamento deverá se estender por, pelo menos, mais seis sessões, e deve ser uma das mais importantes no ponto de vista político. Um dos réus na ação, Jefferson voltou a ser internado esta semana, sem previsão de alta.

A próxima fase do julgamento do mensalão vai analisar a prática de crimes de corrupção ativa. Vão ser analisadas as denúncias da Procuradoria-Geral da República contra Dirceu, Genoíno, Jefferson e o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares. Com exceção de Jefferson, que responderá por crime de corrupção passiva, os demais são acusados de corrupção ativa. Outros integrantes do núcleo político, os petistas Paulo Rocha (PA), João Magno (MG) e Professor Luizinho (SP) são acusados de lavagem de dinheiro e devem ser julgados em duas semanas.

Delator do esquema de compra de votos no Congresso, Roberto Jefferson foi novamente internado com quadro de infecção intestinal e desidratação, segundo nota do Hospital Samaritano do Rio de Janeiro. Em agosto, o político, que é presidente nacional do PTB, foi submetido a um tratamento contra um câncer no pâncreas e teve que passar por sessões de quimioterapia. Segundo boletim médico divulgado ontem, ele está com os sinais vitais estáveis, respira sem aparelhos, mas não há previsão de alta. O ex-parlamentar pode ter sentido os efeitos colaterais dos medicamentos que está usando.

Jefferson é considerado um dos principais personagens do escândalo do mensalão, esquema que ele mesmo batizou ao revelar que parlamentares da base aliada recebiam dinheiro para votar em favor do governo. As denúncias provocaram a cassação do mandato dele e do de José Dirceu, ex-chefe da Casa Civil do Palácio do Planalto no primeiro governo Lula. Segundo seu advogado, Luiz Francisco Barbosa, o ex-deputado não deveria ser réu da Ação Penal 470, já que foi ele quem revelou os fatos. Na sustentação oral que fez no plenário do Supremo, Barbosa chegou a pedir a convocação do ex-presidente Lula como testemunha. Os ministros rejeitaram o pedido.

-------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 15/09/2012