Título: Mensalão em ritmo adequado
Autor: Maakaroun , Bertha
Fonte: Correio Braziliense, 15/09/2012, Política, p. 7

Belo Horizonte — O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Carlos Ayres Britto, negou ontem que o julgamento do mensalão esteja transcorrendo em ritmo lento. Questionado se o tribunal parou suas atividades para se dedicar exclusivamente à Ação Penal 470, Ayres Britto assegurou que os ministros, quando não há sessão para o mensalão, analisam outros processos em seus gabinetes e que as reuniões das turmas da Corte estão sendo feitas semanalmente. "Já fizemos, inclusive, uma sessão extraordinária para julgar outros processos. Cada ministro está despachando monocraticamente em seus gabinetes", informou.

Ayres Britto participou ontem do Congresso Internacional de Direito do Estado, na capital mineira. Embora, em sua palestra, o presidente do STF não tenha citado em nenhum momento a Ação Penal 470, ao descrever o papel do juiz e defender a primazia dos fatos no julgamento, assinalou: "O ser humano não quer só o fragmentado das provas do processo penal, quer também o infragmentado do conjunto das provas, sobretudo quando um delito é praticado em coautoria singela ou, pior ainda, em coautoria qualificada pelo enquadrilhamento, pelo bando".

Ao defender a primazia dos fatos — e "sua excelência, a realidade" —, Ayres Britto acrescentou que "juiz não é ácaro de processo, não é traça de gabinete. É um ser da vida. Um ser do mundo. Integra com outros agentes públicos, com os protagonistas da cena social, o cotidiano".

"Juiz não é ácaro de processo, não é traça de gabinete. É um ser da vida. Um ser do mundo" Ayres Britto, presidente do STF