O globo, n. 31320, 08/05/2019. País, p. 10
Senadores criticam ataques e defendem Villas Bôas
Daniel Gullino
Gustavo Maia
Jussara Soares
Renata Mariz
08/05/2019
Pela manhã, Bolsonaro pede que ‘desentendimento’ entre Olavo de Carvalho e militares ‘seja uma página virada’; à tarde, defende liberdade de expressão e diz que ideólogo ‘é dono do seu nariz’
Senadores de diversos partidos, incluindo governistas, defenderam ontem o ex-comandante do Exército Eduardo Villas Bôas e criticaram o ideólogo de direita Olavo de Carvalho, após os dois discutirem publicamente. Parlamentares também cobraram uma reação do presidente Jair Bolsonaro contra as frequentes declarações de Olavo contra militares que fazem parte do governo.
Pela manhã, Bolsonaro publicou uma mensagem em suas redes sociais exaltando Olavo, a quem classificou como ícone e ídolo e disse continuar admirando-o. O presidente concluiu a postagem afirmando esperar que a série de “desentendimentos” públicos do ideólogo contra militares “seja uma página virada por ambas as partes”.
Apesar do pedido de Bolsonaro, o ideólogo voltou a atacar os militares com uso de palavrões. À tarde, o presidente evocou a liberdade de expressão e disse não reclamar quando recebe “críticas muito graves” ao comentar as críticas de Olavo a militares:
— O Olavo é dono do seu nariz, como eu sou do meu e você é do seu. Liberdade de expressão ... Eu recebo críticas muito grave senão reclamo—disse o presidente a jornalistas.—Opes soal falam ui toem engolir sapos. Eu engulo sapo pela fosseta lacrimal e tô quieto aqui, tá OK?.
Apoio no senado
Uma moção de apoio ao general da reserva Eduardo Villas Bôas foi apresentada pelo senador Plínio Valério (PSDBAM). Já o Presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEMAP), afirmou que uma agressão a Villas Bôas é uma “agressão ao Brasil”.
— Quero me solidarizar com o general Villas Bôas, com o Exército brasileiro, com os trabalhadores desse país que lutam todos os dias para construir uma grande nação. Um cidadão que está em outra nação, em outro país, agredindo Villas Bôas, é uma agressão ao Brasil.
Anteontem, Villas Bôas havia dito que Olavo enfrenta um “vazio existencial” e age com desrespeito às Forças Armadas. Ontem, o ideólogo chamou o ex-comandante do Exército, que sofre de uma doença degenerativa, de “doente preso a uma cadeira de rodas”.
Numa rede social, a senadora Mara Gabrilli (PSDB-SP), que é tetraplégica, disse que a “cadeira de rodas não é uma prisão” e classificou o general como “exemplo de grandeza, lucidez e produtividade”.
À noite, senadores se revezaram no microfone do plenário para apoiar Villar Bôas e repudiar Olavo. Líder do PSL no Senado, Major Olímpio (SP) procurou afastar o partido de Bolsonaro do ideólogo:
— Repudiando que façam associação desse senhor ao PSL, quero expressar minha total solidariedade ao general Villas Bôas ou a qualquer pessoa que possa ter sido ofendida. Não é com ofensas, não é com palavras chulas que se pode fazer um debate legítimo dentro do campo da democracia e, principalmente, com palavras dessa ordem ao general Villas Bôas.
Simone Tebet (MDB-MS) disse que Bolsonaro precisa mostrar autoridade para impedir um governo paralisado:
— Nos ajude, senhor presidente, a ajudá-lo a construir um outro país. Mas dessa forma não dá! Nós estamos aqui paralisados porque Vossa Excelência não diz quem é que manda no Executivo!