Título: Bancada constrangida
Autor: Campos, Ana Maria ; Abreu, Diego
Fonte: Correio Braziliense, 18/09/2012, Política, p. 2
O PP vive hoje uma situação de constrangimento, tentando se afastar dos dirigentes do partido citados na ação penal em julgamento no STF como os principais negociadores dos repasses recebidos do PT em troca de adesão em votações importantes. "Foi um caso isolado, não pode ter reflexos na legenda como um todo. Um partido é feito por todos seus filiados", avalia a deputada Rebecca Garcia (PP-AM).
Líder do PP na época em que estourou o escândalo do mensalão, o deputado Pedro Henry (MT) ainda faz parte da bancada do partido na Câmara. "Ele passou pelo crivo do voto popular, quem sou eu para falar qualquer coisa sobre ele", desconversa Rebecca.
O esforço para deixar o envolvimento com o mensalão no passado é geral na bancada. "O partido não é o centro do esquema, não tem que sofrer desgaste com essa situação", diz um pepista que preferiu não se identificar. A sigla é citada pelo ministro Joaquim Barbosa como destino de R$ 4,1 milhões provenientes do valerioduto. "Não houve aliança formal, mas, ainda assim, milhões de reais foram repassados pelo PT ao partido", disse o relator.
Integrante da CPI do Mensalão, que funcionou ao mesmo tempo que a CPI dos Correios, o deputado Nelson Meurer (PP-PR) insiste na versão de que o PP teria recebido recursos do caixa dois do PT para saldar honorários advocatícios. "Se os recursos tinham origem indevida, a culpa não é do PP, foi de quem repassou o dinheiro", dispara Meurer. "Os comandantes eram aqueles que estavam no governo. Eles são os culpados, não nós".