Título: Terceiro socorro à Grécia
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Fonte: Correio Braziliense, 14/09/2012, Economica, p. 14
Grécia pode pedir nova ajuda para superar a crise financeira que já dura mais de quatro anos. De acordo com o diretor executivo substituto do Fundo Monetário Internacional (FMI), Thanos Catsambas, que representa o país na instituição, um terceiro pacote internacional de resgate depende diretamente da União Européia e do Banco Central Europeu (BCE).
A República Helênica "vai precisar de financiamento adicional, que pode tomar a forma de um envolvimento do setor público (na reestruturação da dívida grega) ou de novos empréstimos, de preferência com termos mais favoráveis" disse Catsambas. A intenção de novo projeto de socorro foi, porém, negada pelo porta-voz do FMI, Gerry Rice, e pelo ministro das Finanças grego, Yannis Stournaras.
"Nós estamos conversando para colocar o atual programa de volta nos trilhos", garantiu Rice. "As posições do país são formuladas pelo primeiro-ministro e pelo ministro das Finanças", ponderou Stournaras. Segundo Catsambas, o pedido do primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras, aos credores; internacionais que estendam em dois anos o prazo para o país cumprir suas metas fiscais geraria a necessidade de um financiamento adicional de 20 bilhões de euros nesse período.
O governo grego tem analisado a possibilidade de cobrir essa necessidade com a emissão de títulos de curto prazo, mas Catsambas afirma que é "totalmente irrealista" pensar que a Grécia pode conseguir isso sozinha. Para o representante do FMI, a Zona do Euro e o BCE deveriam assumir a tarefa de ajudar a Grécia a cobrir esse adicional. "Uma prorrogação no prazo do pagamento do empréstimo feito pelo FMI à Grécia é impossível, já que todos as condições (da ajuda) são baseadas em regras não negociáveis", argumentou Catsambas.
Com dificuldades para vender suas melhores empresas públicas por causa das incertezas sobre seu futuro - que freiam os investimentos internacionais -, a Grécia decidiu reativar seu programa de privatizações para tranquilizar seus credores e reduzir sua dívida. Nas últimas semanas, os líderes da UE adotaram um tom mais conciliador com Atenas, mas continuam pedindo ao governo para que acelere as privatizações.
Parados
Em protesto contra uma nova rodada de medidas de austeridade exigida pelos credores internacionais, os principais sindicatos trabalhistas da Grécia convocaram uma greve nacional de 24 horas para 26 de setembro. A confederação sindical que reúne os trabalhadores do setor privado, a GSEE, também tomará parte na paralisação.
Essa será a primeira grande greve nacional desde que a coalizão de governo liderada pelos conservadores assumiu o poder em junho, com o propósito de manter o país na Zona do Euro. Os trabalhadores gregos fizeram várias greves desde 2010, quando o país acertou com a União Europeia e o Fundo Monetário Internacional o primeiro pacote de ajuda à sua economia. O segundo, de 130 bilhões de euros, foi dado em abril deste ano.