Título: Escândalo toma conta da tribuna no Congresso
Autor: Mader, Helena; Abreu, Diego
Fonte: Correio Braziliense, 19/09/2012, Política, p. 2

Plenários viram palco da troca de acusações entre petistas e tucanos sobre o caso julgado no STF

Na terça-feira de esforço concentrado, as tribunas do Congresso serviram para ataques entre parlamentares da oposição e da base aliada, ontem. No Senado e na Câmara, o tema dos discursos acalorados foi o mesmo: o mensalão. Representantes do PT e do PSDB se acusaram mutuamente de terem inaugurado um esquema de pagamento de propina a aliados e de financiamentos de campanha com recursos não declarados, o chamado caixa dois.

No Senado, o líder do PSDB, Alvaro Dias (PR), leu uma nota assinada por partidos da oposição, informando que pedirão ao Ministério Público Federal a abertura de investigação de denúncias de participação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mensalão. O movimento foi motivado pela reportagem da revista Veja que atribui ao empresário Marcos Valério, réu na ação que está sendo julgada no Supremo Tribunal Federal (STF), acusações de que Lula teria participado ativamente do processo de compra de parlamentares.

"A CPI dos Correios teria concluído uma missão exemplar se tivesse incluído o presidente da República entre os denunciados. Agora, a revista Veja reaviva as razões que justificavam, há sete anos, o impeachment do presidente da República; e a oposição se sente no dever de adotar as providências que o caso exige", disparou Alvaro Dias em seu discurso.

O senador Jorge Vianna (PT-AC) pediu a palavra para rebater as afirmações. Em tom cordial, contra-atacou: "Entre a cópia malfeita que hoje está sendo julgada e o original, eu fico com o original", referindo-se às suspeitas de que a campanha do tucano Eduardo Azeredo ao governo de Minas, em 1998, fora abastecida com recursos ilegais. Em seguida, na bancada, e, depois, falando à imprensa, o petista foi além: "Não vou admitir lição de moral de quem não tem moral. A estrutura criminosa ligada a Marcos Valério foi criada pelo PSDB, em 1998", afirmou, acrescentando que isso não justifica os erros que o PT cometeu.

Deputados do PT também reagiram na Câmara. O vice-líder do partido, Henrique Fontana (RS), por exemplo, foi à tribuna para sair em defesa do ex-presidente. "Lula fez um governo honesto, honrado. Tanto que, no fim dos oito anos, conseguiu uma campanha vitoriosa. Essas acusações sem provas procuram atacar um grande estadista que foi, se não o melhor, com certeza um dos melhores presidentes do país", afirmou Fontana.

Gurgel encaminhará pedido ao MP O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, afirmou ontem que encaminhará para a primeira instância do Ministério Público a representação que partidos de oposição querem protocolar contra o ex-presidente Lula. DEM, PPS e PSDB devem pedir, ao fim do julgamento do mensalão, a investigação do petista por suposta participação no esquema. Responsável por apresentar a denúncia do mensalão em 2006, o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza disse que não denunciou Lula porque não havia provas contra o então presidente. "Ninguém, naquele momento, fez qualquer afirmação que pudesse colocá-lo no evento", frisou. Souza acrescentou que as supostas declarações de Marcos Valério contra Lula não alteram o processo, por partirem de alguém que está em situação "dramática".