Título: Indústria mais confiante
Autor: Martins, Victor
Fonte: Correio Braziliense, 20/09/2012, Economia, p. 8
Índices da CNI e da FGV apontam melhora das expectativas graças a medidas de estímulo e encomendas para o fim de ano
Diante dos estímulos dados pelo governo à indústria, a confiança do empresário começa a apresentar os primeiros sinais de recuperação. Duas pesquisas divulgadas ontem, uma da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e outra da Fundação Getulio Vargas (FGV), mostram que houve uma ligeira melhora nas expectativas, porém, elas ainda permanecem abaixo da média histórica. Além dos incentivos patrocinados pelo Palácio do Planalto, os industriais comemoram a chegada dos pedidos de fim de ano. Segundo eles, o segundo semestre é sempre mais pujante que o primeiro e já está proporcionando novo ânimo ao setor.
Pelos números da CNI, a confiança do industrial cresceu 2,9 pontos entre agosto e setembro, o que levou o indicador aos 57,4 pontos. Semelhante a um termômetro, sempre que esse índice fica acima de 50, significa que o empresário está confiante. “Estamos em período tradicionalmente de atividade industrial mais alta, em que se começa a produzir mais para o fim do ano. O pico é em outubro, indo até novembro”, explica Renato da Fonseca, gerente de pesquisa da CNI.
A percepção dos empresários perante a economia e o próprio negócio mudou depois das medidas de desconto de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para veículos, da redução da conta de energia para grandes consumidores e para as famílias e da desoneração das folhas de pagamento. Ficou claro para os industriais que o governo está disposto a impedir que o segmento afunde ainda mais. Os anúncios de investimentos em infraestrutura também renovaram o fôlego dos empresários, que esperam diminuir o peso do Custo Brasil sobre seus produtos quando essas aplicações se tornarem maduras.
“No momento em que o governo começa a tomar medidas que aumentam a competitividade, o empresário industrial passa a acreditar na capacidade de crescer”, argumentou Fonseca. Os industriais, apesar da melhora nas expectativas, ainda se mostram preocupados com a concorrência dos importados. Nem o dólar acima de R$ 2 tem sido suficiente para deixar a produção nacional mais competitiva que os itens da China e dos Estados Unidos.
Na prévia de setembro do indicador da FGV, a confiança avançou 1,1% frente a agosto. O número, porém, ainda permaneceu abaixo da média histórica. O índice que mede as expectativas em relação ao futuro também melhorou, subiu 1,6% no período. O que leva em conta a situação atual do negócio também cresceu, registrou alta de 0,7%. A pesquisa ainda observou quanto da força de produção da indústria está em uso no país, um indicador que é chamado de Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), cuja taxa aumentou 0,1 ponto percentual, passou de 84% em agosto para 84,1% em setembro, o mesmo patamar de julho de 2011. A despeito do incremento, ainda há, segundo analistas, bastante espaço para ampliar a produção sem novos investimentos.
Obras ameaçadas Foi cancelada ontem, por falta de quórum, a reunião da Comissão Mista de Orçamento (CMO) que iria votar projetos de crédito extraordinário (PLNs) e duas medidas provisórias (572 e 573 de 2012) que liberam recursos adicionais para diversos ministérios e programas de governo. O presidente da comissão, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a falta de votações já está afetando a continuidade de programas e obras do governo federal. Uma nova tentativa de votação deve ser feita apenas em 7 de outubro.