Título: Leilões de 2013 em xeque
Autor: Hessel, Rosana
Fonte: Correio Braziliense, 20/09/2012, Economia, p. 12

O anúncio da retomada dos leilões de petróleo em 2013 foi visto com um certo alívio por especialistas do setor, mas com ressalvas. "O segmento vem sendo desprestigiado pelo governo: estava há quatro anos sem boas notícias. A simples sinalização de que haverá uma autorização para o primeiro leilão da camada pré-sal é positiva", destacou o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), Adriano Pires. A grande dúvida, segundo ele, é se o Executivo conseguirá atrair os líderes de mercado ou apenas os "peixes pequenos", como ocorreu com a concessão dos aeroportos este ano.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, informou anteontem que, em maio, serão licitados 174 poços — metade em terra, metade em mar — e, em novembro, deverá ser realizada a primeira rodada de leilões da camada pré-sal. O última série de leilões (10ª) ocorreu em 2008 e, desde então, Lobão vinha anunciando datas que não se concretizaram. "Vou torcer, mas só vou acreditar quando sair o edital", cravou Pires.

Na avaliação do economista, a demora para o Congresso Nacional aprovar o projeto de lei sobre a partilha dos royalties do pré-sal entre os estados também gera incertezas. Além disso, as exigências impostas pelo marco regulatório do pré-sal, como a obrigatoriedade de a Petrobras ter participação de 30% nos consórcios e o índice de nacionalização de 60%, poderão afugentar os grandes investidores. "Quando são criados muitos obstáculos, as piores empresas acabam ganhando", alertou Pires. Para ele, o governo errou na estratégia ao paralisar os pregões. "Colômbia, Estados Unidos e vários países africanos

estão atraindo o dinheiro dos grandes investidores que poderiam ter vindo para cá. O país está perdendo oportunidades e geração de emprego", pontuou.

Confidencial Na audiência pública de ontem na Câmara dos Deputados, a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, confirmou que a companhia tem interesse em participar dos leilões em 2013. A estatal discute parcerias para a exploração de eventuais blocos a ser arrematados. "Com certeza, temos recursos e teremos sócios, mas isso é absolutamente confidencial", afirmou. Graça ainda defendeu a aprovação do projeto de lei dos royalties do petróleo, que já passou pelo Senado e aguarda votação na Câmara. "Torna-se imperioso que haja uma definição para essa questão", afirmou ela.