Título: Morde e assopra
Autor: Rothenburg, Denise
Fonte: Correio Braziliense, 25/09/2012, Economia, p. 10

O Ministério do Desenvolvimento informou que divulgará, na próxima sexta-feira, a nova lista de 100 produtos que terão aumento do Imposto de Importação, conforme acordado entre os países membros do Mercosul. Esses itens serão somados à outra centena que gerou críticas dos Estados Unidos. Porém, para reduzir o mal-estar com o governo norte-americano, às vésperas da participação de Dilma Rousseff e Barack Obama em assembleia na Organização das Nações Unidas (ONU), o Palácio do Planalto autorizou ontem a redução de tributos sobre 350 produtos que vêm de fora. O Imposto de Importação caiu para 2%. Os setores contemplados são ferroviário, petróleo e de bens de capital. Entre os países beneficiados estão Alemanha, EUA, Itália, França e China.

Apesar desse agrado, as queixas dos norte-americanos devem continuar, ainda que, na opinião do presidente da Associação de Comércio Exterior (AEB), a lista de importações punidas com tributos maiores é irrelevante em relação a todos os produtos comprados pelo Brasil. "Eu imaginava uma lista que pegasse produtos com peso na pauta de importação brasileira, mas não foi isso que aconteceu", afirmou. Ele lembrou que a batata, um dos itens que gerou estranheza, apenas estimula compras da Argentina e não a local. Pelos cálculos da AEB, a lista da discórdia representa, no máximo 4% do total das compras brasileiras, o que torna a medida inócua. "O custo da lista de produtos é muito pequeno. Mas transmite para o mundo uma imagem de protecionismo do Brasil", afirmou.

» Irã é tema de almoço

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, almoçou ontem com os chanceleres da Turquia, Ahmet Davutoglu, e da Suécia, Carl Bildt. Recentemente, os suecos passaram a elogiar a atuação que o Brasil e a Turquia tiveram em 2010, ainda no governo Lula, ao propor um acordo para controlar o processamento de urânio nas usinas nucleares do Irã. Os Estados Unidos rejeitaram a proposta de imediato e, no meio diplomático norte-americano, houve quem considerasse indevida a gestão de Lula, diante das suspeitas de que o governo iraniano estaria processando o minério para a fabricação de bombas nucleares. Os três chanceleres conversaram ainda sobre apoio à Palestina — outro ponto que os EUA evitam para não criar problemas com Israel, seu aliado tradicional no Oriente Médio.