Título: Vale tudo na reta final
Autor: Caitano , Adriana
Fonte: Correio Braziliense, 23/09/2012, Política, p. 10

A 15 dias do primeiro turno da eleição para prefeitos e vereadores, os dois principais partidos — PT e PSDB — preparam as armas e estratégias para a reta final da campanha municipal. Em pelo menos sete capitais, o segundo lugar ainda é uma incógnita, o que abre espaço para uma a artilharia pesada em busca da derradeira vaga para o segundo turno. Os tucanos vão centrar fogo no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal. Já o PT quer desconstruir a imagem de bom administrador de José Serra (PSDB), que disputa com Fernando Haddad o direito de enfrentar Celso Russomanno (PRB) nas eleições para a prefeitura de São Paulo.

O mensalão tem sido o calcanhar de Aquiles do PT, como comprovado pelas recentes pesquisas de intenção de voto, especialmente na capital paulista. Os tucanos já decidiram que, nos municípios em que estiverem em confronto direto com os petistas, o assunto será explorado ao máximo. A campanha paulistana é o laboratório dessa estratégia. Os ataques de José Serra (PSDB) começaram pelo rádio e, animados com o abalo na candidatura de Haddad (PT), evoluíram para a TV. "Ajudamos a difundi-lo porque é um fato que está sendo revelado no julgamento", comenta o líder do PSDB na Câmara, Bruno Araújo (PE).

Em São Paulo, além de reforçar a insistência dos petistas de que o esquema do mensalão foi "conto de fadas", os adversários de Haddad também estão explorando, como adiantou o Correio, o apoio de Marta Suplicy. Ela só entrou definitivamente na campanha após ser nomeada ministra da Cultura.

O comando da campanha petista não pretende deixar barato as provocações do PSDB e redesenha a estratégia adotada pela campanha até o momento para abrir espaço a golpes abaixo da linha da cintura do adversário tucano. "Que eles vão ter resposta, vão. O Serra posa como uma filha de Maria, desferindo críticas, mas tem um telhado de vidro enorme", dispara o secretário de Organização do PT, Paulo Frateschi. "Eles, que falam tanto em choque de gestão, vão levar um choque de realidade. Deixamos o Serra ficar muito sossegado, isso não vai continuar", promete o petista.

Para o presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos, Carlos Manhanelli, o acirramento das disputas ainda provocará baixarias, especialmente nos locais onde a disputa estiver empatada. O professor compara a corrida eleitoral a uma luta de boxe. No primeiro round, os adversários se analisam, estudam as fragilidades do outro e evitam golpes mais assertivos. "Se até o 11º round ninguém cair, ambos partem para o tudo ou nada e começa o que chamamos de apelação", detalha.

Ele cita, porém, dois exemplos para destacar que a estratégia agressiva nem sempre é garantia de sucesso. Em 1989, Fernando Collor, então no PRN, apresentou em seu programa uma mulher dizendo ter uma filha não reconhecida de Luiz Inácio Lula da Silva. Na disputa pela prefeitura de São Paulo de 2008, Marta Suplicy questionou indiretamente a opção sexual de Gilberto Kassab ao questionar se "ele era casado ou tinha filhos". "No caso de Collor, deu certo e ele virou presidente. Já Marta acabou perdendo a eleição", lembra.