Título: Nova reação a Caçadas
Autor: Mariz, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 02/10/2012, Brasil, p. 9

A Universidade Zumbi dos Palmares e a ONG Educafro resolveram entrar na briga contra o parecer do Conselho Nacional de Educação (CNE) que permite ao Ministério da Educação (MEC) adotar livros com conteúdo supostamente racista, especialmente o clássico infantojuvenil Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, publicado em 1933. As duas entidades protocolam hoje uma representação para se tornarem coautoras da ação do Instituto de Advocacia Racial (Iara), que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF). O ministro Luiz Fux tem até o próximo dia 5 para decidir se leva a discussão ao plenário da Corte.

Para as entidades, o parecer que indica a necessidade de contextualização histórica da obra pelos professores é insuficiente. O diretor executivo da Educafro, frei David dos Santos, reclama da insensibilidade do MEC. "Para gerar uma atitude de respeito à ecologia, o ministério manda colocar nota dizendo que é proibido caçar animais em livros que tratam dessa prática. No caso do negro, não existe essa obrigação", argumenta.

O reitor da Universidade Zumbi dos Palmares, José Vicente, também defende que os livros tragam uma explicação sobre o período em que foram escritos. "A condição hoje é outra, é preciso fazer essa atualização".

De acordo com o advogado do Iara Humberto Adami, a intenção não é banir o livro. O instituto quer garantir que a obra seja adotada corretamente, com uma nota explicativa, e com professores capacitados para instruir os alunos sobre o tema. O Ministério da Educação mantém a postura de não aceitar censura a nenhuma obra de valor literário ou científico. Para a pasta, o parecer do CNE é claro na necessidade de contextualização histórica do material.