Título: Convênios puxam a inflação
Autor: Nascimento, Bárbara ; Oliveira, Priscila
Fonte: Correio Braziliense, 02/10/2012, Economia, p. 10
A inflação não tem dado trégua às famílias. Há mais de dois meses os preços não param de subir, sobretudo os dos alimentos. Ainda assim, o Banco Central mantém o discurso de que o custo de vida vai ceder para o objetivo perseguido pelo governo, um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 4,5%. Para o mercado e nas previsões da própria autoridade monetária, no entanto, essa meta em 2012 está perdida. Faz 12 semanas que os analistas reajustam para cima suas projeções. Agora, a expectativa é de que o ano termine com uma carestia de 5,36%. Dados da Fundação Getulio Vargas (FGV) reforçam essa percepção de alta. O Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) de setembro terminou com incremento de 0,54% puxado, entre outros fatores, pelos planos de saúde, que foram ajustados em 0,63% no mês.
No acumulado do ano, o IPC-S bateu em 4,07%. Em 12 meses, chegou a 5,73% — se fosse o índice considerado oficial pelo governo, precisaria ceder 1,23 ponto percentual para ficar no centro da meta. Pelos números da FGV, além dos planos de saúde, o orçamento das famílias ficou mais apertado devido à elevação da tarifa de telefone móvel: fazer uma ligação ficou 0,89% mais caro no mês passado. A conta de luz também subiu: 0,70%. O incômodo maior para os brasileiros, porém, vem dos alimentos. O preço da batata-inglesa disparou 25,12% em setembro; o da cebola, 19,78%; e o do pão francês, 2,65%.
Juros Mesmo com essa pressão sobre o bolso do brasileiro, o Banco Central não deve aumentar a taxa básica de juros (Selic) para tentar fazer a inflação baixar. A projeção dos analistas é de que o indicador permaneça em 7,50% ao ano, índice que vigora desde a última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), em agosto. Para 2013, a expectativa dos especialistas é de uma taxa de 8%, número que, até a semana passada, estava em 8,25%.
Os economistas também revisaram para baixo a perspectiva para o IPCA do próximo ano: de 5,50% para 5,48% — possivelmente um reflexo da desoneração das contas de energia para grandes consumidores e para as famílias, anunciada pelo governo. Na visão do BC, essa previsão deve baixar ainda mais. A instituição projeta um impacto de até 0,5 ponto percentual para baixo na inflação com a redução do custo da eletricidade.