Título: Exportação perde força
Autor: Ribas, Sílvio
Fonte: Correio Braziliense, 02/10/2012, Economia, p. 14

O comércio exterior brasileiro fechou setembro mais depen­dente da China e mais distante de repetir o saldo de 2011. No acumulado dos nove primeiros meses do ano, as exportações somaram US$ 180,59 bilhões, com retração de 4,9% sobre igual pe­ríodo de 2011. As importações, por sua vez, caíram menos (1,2%), ao atingir US$ 164,87 bi­lhões. Com isso, o superávit comercial até o mês passado foi de US$ 15,72 bilhões, valor 31,8% menor que o registrado em mesmo período do ano passado.

"Já havíamos dito que este ano seria difícil em razão dos efeitos da crise econômica mundial e esperamos fechar 2012 num pata­mar semelhante ao de 2011" co­mentou a secretária de comércio exterior do Ministério do Desenvolvimento, Tatiana Prazeres.

Segundo ela, além da espera­da retração dos negócios inter­nacionais, as barreiras impostas pela Argentina a alguns produ­tos brasileiros causaram queda ainda mais expressiva nas ex­portações para o Mercosul. "É algo preocupante (as taxações iargentinas) e cujos efeitos ain­da estamos dimensionando", sublinhou. As exportações bra­sileiras para seu maior parceiro regional recuaram 5,5% em se­tembro sobre agosto.

Se juntar a União Européia (UE), outro dos maiores parcei­ros comerciais do Brasil, o tom­bo nas exportações no ano foi de quase 10% na comparação ao acumulando no período de ja­neiro a setembro de 2011. No caso da Europa, a estagnação econômica é a maior culpada. Apesar das dificuldades com o Mercosul, a secretária ressaltou que Argentina e Brasil já haviam reduzido neste ano barreiras "dentro do esforço para melho­rar o comércio".

Tatiana Prazeres acrescentou que a China deve terminar 2012 voltando ao posto de maior im­portador e exportador para o mercado brasileiro, superando as importações brasileiras dos Esta­dos Unidos. "A China hoje é o pri­meiro ou segundo parceiro co­mercial de 78 países. Ela cresce em importância no comércio mundial", afirmou. (SR)