O globo, n. 31356, 13/06/2019. País, p. 6
Onyx demite equipe de articulação parlamentar
Bruno Góes
Natália Portinari
13/06/2019
Casa Civil diz que resultados da atuação de ex-deputados na interlocução com o Congresso, um dos pontos de fragilidade do governo, não foram ‘os esperados’. Para a bancada do PSL, demissões foram ‘humilhantes’
O ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, dispensou da pasta a equipe de ex-deputados responsável pela articulação com o Congresso. Amplamente criticada por deputados e senadores, a interlocução é uma das fragilidades do governo Bolsonaro. A ideia de convocar não eleitos, com foco nas frentes parlamentares e não nos partidos, partiu do presidente Jair Bolsonaro e já não contava com a simpatia de Onyx. Dentro do PSL, as demissões foram vistas como “humilhantes”.
Segundo interlocutores, Onyx centralizou todo o trabalho de articulação e esvaziou as atribuições dos ex-deputados muito antes de decidir dispensá-los. O time acabou ficando sem função. No lugar de Carlos Manato (PSL-ES), foi nomeado agora como secretário especial para a Câmara dos Deputados Abelardo Lupion (DEM-PR), amigo do ministro.
Foram exonerados também os ex-deputados Laudivio Carvalho (PODE-MG), Victório Galli (PSL-MT), Marcelo Delaroli (PR-RJ) e Keiko Ota (PSB-SP). Alguns deles devem ser remanejados nos próximos dias e permanecerão no governo. Segundo um vice-líder do governo na Câmara, a relação da Casa Civil com os deputados não estava indo bem, e até Bolsonaro teria admitido que a ideia de usar ex-deputados não funcionou.
Em nota, a Casa Civil afirmou que os resultados da atuação dos ex-deputados não foram os esperados e que o governo está fazendo ajustes. “Quando houve o convite para que ex-parlamentares compusessem a equipe da Casa Civil, a ideia era facilitar o processo de interlocução com as bancadas. No entanto, apesar da expertise e do esforço dos mesmos, os resultados não foram os esperados. Assim, o governo está fazendo ajustes, com o objetivo permanente de estabelecer o diálogo mais produtivo com o Congresso, no melhor interesse do país”, informou o ministério no texto.
Demissão 'deselegante'
Procurado, Manato disse que pediu demissão e que sua saída foi amistosa. Já o líder do PSL na Câmara, Delegado Waldir (GO), afirmou que Manato foi demitido e classificou o episódio como “humilhante”. Segundo o líder, Onyx não deu justificativa para a dispensa e, como aliados de primeira hora, Manato e Galli, do PSL, deveriam ter espaço no governo.
—Foi deselegante a forma como ele demitiu Manato e Galli. Na decisão, o Parlamento não interfere, mas foi realmente de uma forma humilhante. Esse é o entendimento dos parlamentares. Recebeu uma ligação e foi demitido pelo telefone. É injusto para quem participou da transição —afirmou.
No grupo de WhatsApp da bancada do PSL, segundo Waldir, o sentimento foi de indignação com ocorrido:
— Essa é uma decisão de governo, mas nós não concordamos com a forma como aconteceu. Onyx esqueceu que o Manato é um dos parlamentares que, quando o Bolsonaro não era ninguém, vieram para o PSL — concluiu o líder.