Título: DEM perde espaço
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Fonte: Correio Braziliense, 08/10/2012, Política, p. 4

Mutilado pela migração de fi­liados para o PSD e no centro de denúncias de corrupção, o De­mocratas entrou desfalcado nas eleições de 2012 e amargou a elei­ção de apenas 271 prefeitos, 122 a menos do que tem hoje. Foi em relação a capitais que sentiu o único refresco. Atualmente sem nenhuma no país, o partido pode ostentar a vitória em Aracaju, com João Alves. E ainda levou a eleição para o segundo turno em Salvador, onde Antonio Carlos Magalhães Neto disputa com o petista Nelson Pelegrino.

O DEM se lançou às eleições deste ano com menos da metade dos candidatos a prefeito em 2008. Foram 729 nomes, nono lu­gar no ranking das legendas com mais concorrentes a administra­ções municipais. Com o resulta­do magro, líderes do partido ali­mentam, nos bastidores, a fusão com outra legenda, assunto que já ronda o DEM nos últimos anos. Oficialmente, o presidente nacional do partido, senador Jo­sé Agripino Maia, não admite a hipótese e diz até que o DEM cresce nestas eleições.

Ele se refere às capitais. Hoje o partido não comanda nenhuma, mas já garantiu a administração de Aracaju. O DEM aposta agora no deputado federal ACM Neto. Ele chegou a liderar as pesquisas em Salvador, com larga vanta­gem em relação ao outros candi­datos, mas perdeu fôlego na cam­panha e agora disputa o segundo turno com Pelegrino.

Mas os municípios a menos, a despeito do refresco nas capitais, entra na história do partido que tem visto seu poder ser reduzido sistematicamente nos últimos anos. Ainda como PFL, o partido teve a maior bancada na Câmara dos Deputados, com 105 parla­mentares em 1999. Perdeu 21 ca­deiras nas eleições de 2002, quan­do o PT elegeu a maior quantida­de de deputados. Em 2006, ele­geu apenas 65 deputados fede­rais e caiu para a quarta bancada. Quatro anos depois, apenas 43 deputados federais do DEM. Ho­je o partido é apenas a oitava bancada, com 28 parlamentares.

O partido, que já chegou a ter o ex-senador Marco Maciel (PE) como vice-presidente da Repú­blica, enfrenta ainda denúncias recentes. Este ano, relacionado ao esquema do contraventor Carlinhos Cachoeira o ex-senador Demóstenes Torres, então líder da legenda no Senado, acabou se desfiliando. Pouco depois, tor­nou-se o segundo senador cassa­do da história. E como consequência da Operação Caixa de Pandora, perdeu o comando do Distrito Federal, com a queda de José Roberto Arruda.