Título: Salvaram-se todos
Autor: Rothenburg, Denise ; Cruvinel, Tereza
Fonte: Correio Braziliense, 08/10/2012, Política, p. 5
Uma análise cabal de quem ganha e quem perde nas eleições municipais, do ponto de vista de 2014, terá que esperar o segundo turno. Por enquanto, salvaram-se todos os prováveis protagonistas da próxima disputa pela Presidência da República, principalmente nos pleitos considerados "nacionalizados" (não por causa do debate eleitoral, que é de caráter local, mas em razão dos atores envolvidos).
É o caso, sobretudo, da disputa de São Paulo, cujo desfecho ainda está por vir. Foram para o segundo turno o tucano José Serra e o petista Fernando Haddad. O favorito nas pesquisas durante a maior parte da campanha, Celso Russomanno (PRB), repetiu o desempenho de outro franco-atirador da política paulista, o evangélico Francisco Rossi, que disputou a prefeitura por três vezes com certo destaque e foi volatilizado no curso das campanhas.
Serra passou maus bocados. Começou como franco favorito, mas correu o risco de ficar fora do segundo turno. Terminou na liderança, de novo. Haddad, que parecia não decolar, poupou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de pagar o mico de ver o PT fora da disputa, depois de esnobar a candidatura da ex-prefeita Marta Suplicy (PT).
Dois prováveis protagonistas das eleições de 2014, porém, comemoram resultados espetaculares. No Recife, o governador Eduardo Campos (PSB), que também é apontado como um possível candidato à Presidência, emplacou seu ex-secretário Geraldo Julio (PSB) no primeiro turno. Em Belo Horizonte, o senador Aécio Neves (PSDB) comemorou a reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB), que se elegeu também no primeiro turno.
A presidente Dilma Rousseff, responsável pelo lançamento da candidatura de Patrus Ananias (PT), foi derrotada em Belo Horizonte. Mas ainda pode ganhar em São Paulo, com Fernando Haddad, e em outras cidades importantes, nas quais candidatos governistas enfrentam disputas emblemáticas com a oposição, casos de Salvador e Manaus.
Deu no mundo
El País
A batalha por São Paulo, chave das eleições municipais Esse é título da reportagem em que o periódico espanhol apresentava a disputa eleitoral brasileira. Segundo a publicação, a disputa na capital paulista é crucial na definição da distribuição de forças no cenário nacional, uma vez que envolve alguns dos principais atores da política nacional. O destaque fica por conta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. De acordo com o El País, "os analistas concordam que uma derrota do candidato Fernando Haddad em São Paulo resultaria um duríssimo revés para o ex-presidente Lula, mentor e impulsor da candidatura".
The Washington Post
A primeira votação com a Lei da Ficha Limpa em vigor Segundo a tradicional publicação norte-americana, o Brasil realiza as primeiras eleições em que uma série de regras de "boa governança" impede candidatos condenados por crimes de disputar o pleito. O jornal lembra que, após aprovação no Congresso, graças a intensa mobilização popular, a Lei da Ficha Limpa ainda precisou ser referendada pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a legislação brasileira representa uma "mudança radical da cultura, visão e bússula moral" que norteia o processo democrático do país.
Clarín
Empate técnico triplo na maior cidade do Brasil A edição on-line do jornal argentino afirmou que a disputa mais relevante das eleições municipais brasileiras é a de São Paulo, cidade em que três candidatos brigavam, até a véspera da votação, pela preferência dos eleitores. "A menos de 24 horas das eleições, José Serra, Fernando Haddad e Celso Russomanno estavam à caça dos votos dos indecisos na tentativa de fazer pender a seu favor a balança que apontava o empate entre os três."