Título: PSD se credencia para a Esplanada
Autor: Lyra, Paulo de Tarso ; Braga, Juliana
Fonte: Correio Braziliense, 09/10/2012, Política, p. 5

Vitória expressiva nas urnas deixa o partido mais próximo dos ministérios. Convite será formalizado até o início do próximo ano

O expressivo resultado de PSB e PSD nas urnas municipais no domingo chamou a atenção do Palácio do Planalto. As duas legendas elegeram 928 prefeitos no primeiro turno — respectivamente, 436 e 492. Para evitar problemas com o novo bloco, a presidente Dilma Rousseff vai convidar o PSD a integrar o ministério na reforma marcada para o início de 2013.

A despeito das especulações, o nome pessedista a ser convidado para o governo não deve ser o do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Embora vá entregar o cargo em primeiro de janeiro de 2013, a imagem do prefeito é muito atrelada à do candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra. Mas Kassab terá um papel importante nessa negociação, já que tem uma relação política muito boa com Dilma.

O cartão de entrada do PSD para o governo vem sendo preparado desde que a sigla foi criada, no ano passado. Assessores palacianos lembram que, nas principais votações enfrentadas pelo governo ao longo dos últimos meses, o partido tem apoiado o Planalto incondicionalmente. Mesmo em assuntos complicados, como o Código Florestal.

O governo quer trazer o PSD formalmente para o seu lado porque sabe da relação de proximidade da legenda com o PSB. Kassab costuma lembrar que o partido só nasceu graças ao apoio e ao empenho do governador de Pernambuco, Eduardo Campos — presidente do PSB. Apenas em São Paulo essa parceria não se concretizou, pois Kassab estava diante de um aliado mais fiel e antigo: José Serra.

A nova parceria PSB-PSD também pode alterar a correlação de forças no Congresso. O candidato do PMDB à presidência da Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), está em campanha há mais de um ano. Mas o deputado Júlio Delgado (PSB-MG) também almeja a vaga. Aliados do governo acham improvável que ele vença, mas poderá tirar votos preciosos de Henrique e forçar um segundo turno na Casa.

O Planalto também avalia que as urnas mostraram um Eduardo Campos menor do que o próprio PSB esperava. O governador pernambucano elegeu o prefeito do Recife, Geraldo Júlio, mas perdeu em João Pessoa e em Aracaju. O PSB foi derrotado em Curitiba, mas venceu em Belo Horizonte. Esses candidatos, contudo, estariam, na avaliação de assessores palacianos, mais ligados ao PSDB do que a Eduardo Campos.