Título: Contas para evitar o regime fechado
Autor: Abreu, Diego ; Mader, Helena
Fonte: Correio Braziliense, 09/10/2012, Política, p. 6
Praticamente perdida a batalha pela absolvição, os advogados de José Dirceu preocupam-se agora com a segunda fase do julgamento: o cálculo das penas. A chamada dosimetria é que definirá se o petista irá ou não para a cadeia. A matemática de assessores aponta a possibilidade de uma prisão no regime semiaberto, na qual o réu pode trabalhar durante o dia, mas passa a noite detido. “Essa é a batalha que resta para o Zé”, disse ao Correio um interlocutor de Dirceu.
As incertezas quanto à dosimetria passam ainda pelo fato de que poderá se dar em uma composição da Corte diversa da atual, caso se estenda para depois da segunda quinzena de novembro. Nesse período, o relator do processo, Joaquim Barbosa, já será presidente da Casa, e o novo ministro, Teori Zavascki, terá sido empossado. Não está definido se os magistrados que votaram pela absolvição dos acusados serão ou não instados a debater as penas dos réus.
Outro petista em situação complicada é o ex-presidente do partido José Genoino. Ele diz a pessoas próximas que ainda acredita em sua absolvição, embora o placar contra ele seja contrário: 3 votos a 1. Genoino assistiu ao julgamento pela TV Justiça e, segundo seu advogado, Luiz Fernando Pacheco, ele se mantém calmo e sereno. Embora não admita publicamente, Genoino espera, se condenado, pegar penas mínimas, o que o livraria da cadeia. Ele está afastado das atividades que exerce no Ministério da Defesa e deve retomar a rotina somente após o julgamento.
A situação do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares é a mais complicada entre os petistas que são julgados no item seis, que trata da compra de apoio parlamentar pelo governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Delúbio está acompanhando o julgamento em São Paulo e sabe que não tem como escapar da condenação, pois relator e o revisor votaram por sua culpabilidade. O placar parcial em relação a Delúbio está em 4 a 0.
Derrota nas urnas Apesar da iminente vitória no STF, o prefeito de Uberaba (MG), Anderson Adauto (sem partido) saiu derrotado das urnas. Réu do mensalão, ele já foi absolvido por quatro dos 10 ministros e será declarado inocente ainda esta semana, mas o resultado não saiu a tempo de interferir nas eleições. O candidato apoiado por Anderson Adauto em Uberaba, Adelmo Carneiro Leão (PT), ficou de fora do segundo turno.