Título: Reclamação dos petistas
Autor: Lyra, Paulo De Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 21/09/2012, Política, p. 4

A decisão do Supremo Tribunal Federal de agendar o julgamento do chamado núcleo político do mensalão, formado pelo ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, o ex-presidente do PT José Genoino e o ex-tesoureiro Delúbio Soares, para a semana anterior ao primeiro turno das eleições municipais deflagrou uma chiadeira coletiva entre petistas. Com o futuro do partido nas mãos dos ministros, parlamentares da sigla evitaram acusar os magistrados, objetivamente, de politizarem o processo. Mas a cautela na escolha das palavras não oculta as críticas.

O cronograma foi anunciado na quarta-feira pelo relator, ministro Joaquim Barbosa. Ele adiantou que o crime de corrupção ativa do capítulo que está em debate será apreciado logo após a conclusão da votação sobre os réus acusados de corrupção passiva.

O líder do PT na Câmara, deputado Jilmar Tatto (SP), também disparou contra a decisão. "Olha, no mínimo, paira uma dúvida sobre o Supremo. Acho que o STF se diminuiu. Agora, nada do que vem do Supremo me surpreende. Vai me surpreender, isso, sim, se eles não julgarem o mensalão do PSDB", afirmou, referindo-se às suspeitas de irregularidades no financiamento de campanha em Minas Gerais em 1998.

O deputado federal André Vargas (PT-PR) acusou os ministros do STF de não terem isenção. "Qualquer Corte de qualquer lugar do mundo, que queira se manter minimamente isenta, não vai elaborar um calendário que coincida com o processo eleitoral. Não posso dizer que houve uma demonstração explícita de politização, mas o que ocorreu foi, no mínimo, uma imprudência", argumentou o parlamentar.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) lembrou que o problema teve origem no início do processo, quando os ministros estabeleceram o formato do julgamento. "Há ministros que politizam e outros que se orientam apenas pelos autos. Acontece é que o formato escolhido pelo STF é inconstitucional. Vamos esperar o fim da ação para debatermos os efeitos de todo esse episódio", afirmou Vaccarezza, antes de provocar os adversários das urnas. "Com ou sem julgamento, o PT vai crescer nessas eleições. No pleito passado, a oposição se saiu muito mal, e isso vai se repetir agora." (GM)