Título: Favorito, Haddad recebe apoio de peso
Autor: Correia, Karla
Fonte: Correio Braziliense, 12/10/2012, Política, p. 4
PMDB confirma a adesão à candidatura do petista em São Paulo, que tem vantagem de 11 pontos sobre o rival, segundo nova pesquisa
Depois de chorar as mágoas pela ausência de contrapartida do PT nas alianças construídas no primeiro turno das eleições municipais, o PMDB anunciou formalmente ontem o apoio à candidatura do petista Fernando Haddad à prefeitura de São Paulo.
"Nos reunimos e refletimos muito sobre o que é melhor para São Paulo. E a candidatura de Haddad representa o que há de melhor para São Paulo", afirmou o candidato derrotado do PMDB, Gabriel Chalita, que entregou a Haddad um documento com propostas para a prefeitura paulista. O petista prometeu incorporar os projetos de Chalita — que ficou em quarto lugar no primeiro turno, com 13,6% dos votos válidos — em seu programa de governo.
"São Paulo e o povo sofrido merecem atenção e esforço conjunto. Quero trazer para a cidade o que Dilma Rousseff e Michel Temer fazem no plano federal", afirmou Haddad, referindo-se à presidente da República e ao vice. Levantamento do instituto Ibope divulgado ontem mostrou o candidato petista à frente da disputa pela prefeitura de São Paulo, com 48% das intenções de votos, contra 37% do tucano José Serra.
A pesquisa dá a Haddad um ponto percentual a mais do que a primeira sondagem do Datafolha, que mostrou o petista com 47% das intenções de votos, contra 37% de Serra. Se considerados apenas os votos válidos, a vantagem de Haddad sobre Serra se amplia: são 56% contra 44%. O levantamento do Ibope ouviu 1.204 pessoas entre 9 e 11 de outubro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP), sob o número SP-01852/2012.
Entendido pelo PT como um desenlace natural com o resultado das urnas no último domingo, o acordo passou a semana sob a ameaça de não se concretizar, por conta de divergências entre as duas siglas sobre o segundo turno. A crise tinha como focos principais a disputa pelas prefeituras de Mauá (SP), onde o petista Donisete Braga lidera a contenda contra a peemedebista Vanessa Damo; e de Natal, com Carlos Eduardo (PDT) e Hermano Moraes (PMDB) na briga pelo segundo turno.
Logo depois do anúncio de ontem, o presidente do PMDB, senador Valdir Raupp (RO), entrou em uma reunião a portas fechadas com o presidente do PT, Rui Falcão, e o vice-presidente da República, Michel Temer, além do senador Renan Calheiros (PMDB- AL) e do líder do partido na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), primo de Carlos Eduardo. A solução do impasse passou pela intervenção direta de Dilma Rousseff no processo de negociação da aliança. O PMDB ouviu da presidente a promessa de neutralidade em Mauá. A situação em Natal, no entanto, ainda está sendo negociada, de acordo com Raupp.
Os peemedebistas ainda saíram da conversa com o compromisso de que Dilma e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva participarão das propagandas de tevê de candidatos peemedebistas em Florianópolis, Campina Grande (PB), Guarujá (SP), Sorocaba (SP) e Volta Redonda (RJ). As duas legendas ainda discutem a possibilidade de Lula ir ao menos uma vez a Uberaba (MG), para subir no palanque do candidato Paulo Piau (PMDB).
Sem compensação
Mais flexível ao negociar participações nas propagandas de tevê, Dilma Rousseff fez chegar à reunião que não haverá compensação federal — leia-se cargos ou o ministério aventado para Chalita — pelas alianças firmadas em São Paulo.
A principal reclamação do PMDB diz respeito ao desequilíbrio no número de cidades onde o partido apoiou candidatos do PT em relação aos concorrentes do PMDB que receberam suporte por petistas. A crítica é feita sobretudo por parlamentares peemedebistas, que viam na expansão do número de prefeitos o alicerce para o crescimento da bancada federal da sigla, que sonha eleger mais de 100 deputados em 2014. Em vez de crescer, o PMDB viu encolher o número de prefeituras: de 1.193 para 1.020.