Título: Na hora do expediente
Autor: Braga, Juliana
Fonte: Correio Braziliense, 12/10/2012, Política, p. 6

A presidente Dilma Rousseff abandonou a orientação dada por ela mesma aos ministros para não fazer campanha em horário de expediente e mergulhou de ca­beça neste segundo turno. Foi confirmada ontem a ida dela a três capitais—São Paulo, Manaus e Salvador—e uma intensa agen­da de gravação de programas elei­torais. Na quarta-feira, com a jus­tificativa de que não tinha com­promissos de governo, Dilma foi à capital paulista depois do almoço tratar da participação de nomes do governo federal no segundo turno. A bordo do avião presiden­cial, também estavam os minis­tros Aloizio Mercadante (Educação), Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Fer­nando Pimentel (Desenvolvi­mento, Indústriae Comércio), além do assessor especial de As­suntos Internacionais, Marco Au­rélio Garcia. A oposição não gos­tou.

Gilberto Carvalho confirmou, ontem de manhã, que Dilma não se aterá às regras impostas aos mi­nistros. "Tirando a presidenta, que é uma outra questão, nós, minis­tros, temos tido muito rigor. No primeiro turno, todos nós fomos muito cuidadosos e vamos conti­nuar. Esse é um dever básico da gente: de não misturar uma coisa com a outra", disse ele. "A presi­dente foi muito clara com a gente, como sempre, liberando natural­mente os ministros para que, resguardadas as obrigações funcio­nais e com o cuidado de nunca usar nada de recursos públicos, os ministros possam apoiar os can­didatos que julgarem merecedo­res de seu apoio agora nesse se­gundo turno", detalhou.

Dilma fez diferente. Foi a São Paulo, em avião da Força Aérea Brasileira, na tarde de quarta-fei­ra, reunir-se com o ex-presidente Lula e com os ministros do núcleo político do governo para tra­tar da participação no segundo turno. O encontro aconteceu no escritório regional da Presidência da República na cidade, no pré­dio do Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB,) na Avenida Paulis­ta. Voltou no fim do dia.

Ao contrário do que aconte­ceu quando participou do comí­cio dos candidato à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, e de Belo Horizonte, Patrus Ana-nias, dessa vez o PT não arcará com as despesas com o combus­tível do avião presidencial. Por meio de nota, a Secretaria de Co­municação da Presidência infor­mou que "não houve viagem para comparecer a ato eleitoral". "A presidenta viajou a São Paulo pa­ra reunir-se com o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, a quem considera "um gran­de conselheiro", como tem feito regularmente", diz anota.

"Cacoete do PT"

A oposição não poupou Dilma nem o partido dela. "É caracterís­tico do DNA do PT utilizar o go­verno para fins partidários e não distinguir Estado, partido e go­verno", atacou o senador Aloysio Nunes (PSDB-SP). Quem também criticou a viagem foi o presi­dente do DEM, Agripino Maia (RN). "Isso é cacoete adquirido pelo tempo de permanência do PT no governo. O PT se sente proprietário do Estado. Faz como se fosse a coisa mais natural, en­quanto todo mundo sabe que existem regras claras", alfinetou.

Dilma Rousseff já fechou a agenda de viagens no segundo turno: irá a Manaus no dia 18; a Salvador, entre 19 e 20; e a São Paulo, em seguida. Reticente em ir à capital amazonense, onde a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB) obteve metade dos votos de seu adversário, o tucano Arthur Virgílio, Dilma foi convencida por Lula da necessidade de ajudar a aliada. Lá, o comício será à noite. "Manaus é uma cidade muito quente", justificou Grazziotin.