Título: Herói dos conterrâneos
Autor: Mader, Helena
Fonte: Correio Braziliense, 07/10/2012, Política, p. 12

Até mesmo os cidadãos paracatuenses mais alheios à política nacional acompanham o julgamento do mensalão como quem assiste à novela das oito. Cada sessão é um capítulo. Os ministros e réus são os personagens da trama que, para os moradores da cidade, só tem um herói: o ministro Joaquim Barbosa. Nas ruas de sua terra natal, há quem critique os “destemperos” ou os “excessos” do magistrado, especialmente em seus acalorados debates com o revisor do processo, Ricardo Lewandowski. Mas são unânimes em elogiar o trabalho do conterrâneo. “Ele é um exemplo para a sociedade”, elogia o servidor público Mauro Neiva, 44 anos, nascido e criado em Paracatu.

“Ele era pobre e saiu do bairro do Santana para chegar ao ponto mais alto da Justiça brasileira. Sempre defendeu a nossa Constituição e, agora, virou o símbolo da luta contra a corrupção. Vai colocar todos os mensaleiros na cadeia”, assegura Mauro. O servidor conheceu o conterrâneo famoso em 2005, durante uma visita que fez ao Supremo Tribunal Federal. “Éramos umas 30 pessoas, todas de Paracatu, e estávamos visitando Brasília. Fomos conhecer o STF e arriscamos passar pelo gabinete. O ministro Joaquim Barbosa nos recebeu de forma cordial e depois ainda anunciou a nossa presença no plenário, quando fomos assistir à sessão”, relembra Mauro Neiva.

Guia turístico em Paracatu, Lázaro Batista, 58 anos, sempre é questionado pelos visitantes a respeito da história do filho ilustre da cidade. “Quem chega normalmente já sabe que ele é daqui e, de uns tempos para cá, todos se interessam em saber onde ele vivia e como era a vida dele. Para a gente, o sucesso dele é motivo de orgulho”, garante Lázaro. “A história de vida dele é parecida com a do (presidente americano Barack) Obama. Acho que ele tem tudo para ser presidente do Brasil e brigar contra a corrupção”, acrescenta o conterrâneo.

Diretora da escola estadual Dom Serafim, onde Barbosa estudou, Rosa Helena de Araújo faz questão de usar a imagem dos ministros para estimular os alunos. “Se ele chegou aonde chegou, qualquer um aqui pode realizar os sonhos, pode chegar à faculdade”, diz ela aos estudantes, quase todos de famílias bem pobres de Paracatu. Em casa, as crianças adoram apontar o ministro na tevê. Se sentem próximas daquela figura. Estudante do 8º ano do ensino fundamental, Mariely Barbosa, 13 anos, tem uma história de vida parecida com a do conterrâneo. E as semelhanças vão além do sobrenome. Filha de uma dona de casa e de um pedreiro, ela sonha em passar no vestibular. “Eu fico feliz quando vejo o Joaquim Barbosa na televisão e sinto orgulho. Quando eu crescer, quero ser cientista. Se eu estudar tanto quanto ele, acho que chego lá.”