Título: Caos aéreo na volta do feriado prolongado
Autor: Mariz, Renata
Fonte: Correio Braziliense, 16/10/2012, Brasil, p. 9

Bloqueio no aeroporto de Viracopos e falha no sistema da TAM causaram atrasos e cancelamentos de voos em todo o país. Em Campinas, aeronave quebrada foi retirada ontem

Ao problema do avião cargueiro que bloqueou desde sábado a única pista do Aeroporto de Viracopos, em Campinas (SP), causando atrasos e cancelamentos de voos em todo o país, somou-se uma pane geral no sistema de check-in da TAM na manhã de ontem. Justamente no fim de um feriado prolongado, quando os aeroportos já ficam naturalmente mais movimentados. O resultado foi o caos enfrentado pelos passageiros nos terminais em várias partes do Brasil. Dos 2.286 voos domésticos e internacionais programados até as 19h da segunda-feira, 11,2% foram cancelados e 21,5% saíram atrasados. Em Brasília, 27% das 147 partidas previstas ocorreram fora do horário, com 7% de cancelamentos.

Depois de quase 48 horas fechado e 495 cancelamentos entre chegadas e partidas, Viracopos foi reaberto às 17h35 de ontem, quando uma segunda equipe técnica conseguiu remover a aeronave que, devido à destruição do trem de pouso durante a aterrissagem, bloqueava a pista desde a noite de sábado. As 130 toneladas, falta de rodas de um dos lados para o suporte da turbina e da asa e o cuidado necessário para a evitar danos à pista fizeram da operação de retirada do MD-11 uma tarefa complexa. A companhia Azul, responsável por cerca de 85% do tráfego no terminal de Campinas, registrou pelo menos 183 cancelamentos, atingindo 25 mil clientes, nas contas da própria empresa.

Josy Freitas está entre os prejudicados pelo caos. Após passar o fim de semana em Brasília fazendo prova de um concurso público, a moça de 32 anos tentava voltar para casa. O voo pela Azul, marcado para sair às 15h25 rumo a Presidente Prudente (SP), passando por Campinas (SP), havia sido cancelado. Josy entrou numa lista de espera para tentar ser remanejada para outra companhia. "Pior que eu tenho que trabalhar amanhã (hoje). Quando chegar em Presidente Prudente, ainda vou pegar 100km de ônibus para chegar em Presidente Epitácio, onde moro", lamentou Josy.

Paula Galvani, 37 anos, enfrentou problema semelhante, só que na rota contrária. Depois de passar o feriado com familiares em Campinas, ao lado do marido e da filha, não conseguiu embarcar no aeroporto, que estava fechado. Teve de seguir para Guarulhos (SP), de ônibus. Lá, ainda enfrentou atraso de quatro horas. "Isso porque perguntamos, ainda no domingo, para a Gol se haveria problema. E nos disseram que não. Fomos dormir tranquilos. Hoje (ontem), tivemos de passar por todo esse desgaste", disse, ao desembarcar de um voo da Gol em Brasília.

TAM A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) solicitou à TAM explicações sobre as falhas apresentadas no sistema de check-in na manhã de ontem. A companhia terá também de comprovar, em 10 dias, que prestou assistência aos passageiros afetados por atrasos e cancelamentos. Segundo a Anac, o sistema Amadeus apresentou problemas em todas as companhias que o utilizam no mundo. Por esse motivo, a TAM fez o check-in de forma manual, o que levou a atrasos e ocasionou aglomeração de passageiros nos aeroportos. Em Congonhas, por exemplo, nem havia filas formadas, tamanha foi a desordem. Os atendentes passavam gritando o destino e, conforme as pessoas se manifestavam, era separadas para a elaboração do check-in feito à mão.