Título: PMDB e PDT intervêm contra rebeldes da base
Autor: Lyra, Paulo de Tarso
Fonte: Correio Braziliense, 18/10/2012, Política, p. 6
Partidos pedem calma a correligionários que apoiam opositores no segundo turno para evitar desgastes na aliança nacional com o PT
A presidente Dilma Rousseff delegou aos partidos a tarefa de enquadrar os dissidentes no segundo turno das eleições municipais. Ela não vai tomar o Ministério do Trabalho do PDT por conta do anúncio de apoio de Paulo Pereira da Silva ao candidato do PSDB, José Serra, em São Paulo. Nem exonerar Geddel Vieira Lima (PMDB) do cargo de vice-presidente de Negócios Jurídicos da Caixa Econômica Federal pelo apoio a ACM Neto (DEM) em Salvador. Mas coube às direções partidárias contornarem os desgastes.
Durante o fim de semana, o vice-presidente Michel Temer ligou para Geddel e pediu que ele seja "menos incisivo" no apoio a ACM Neto (DEM), que disputa o segundo turno contra o candidato do PT, Nelson Pelegrino. A preocupação é evitar que uma "disputa local acabe por contaminar a aliança nacional", expôs Temer ao correligionário baiano.
Além da recomendação, Temer fez questão de levar à presidente Dilma Rousseff, no encontro que ambos tiveram na segunda de manhã, a garantia de que, apesar das divergências locais com o PT, Geddel e o PMDB da Bahia estarão alinhados ao projeto presidencial de 2014. "Da mesma forma como aconteceu em 2010, quando, mesmo disputando o governo da Bahia contra Jaques Wagner (PT), Geddel ajudou na campanha presidencial de Dilma", lembrou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).
No caso do PDT, o partido foi obrigado a tomar uma atitude mais drástica. A direção nacional da legenda simplesmente atropelou o apoio dado pelo deputado Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força, ao tucano José Serra. O presidente do partido, Carlos Lupi, definiu que, em São Paulo, o partido estará com o petista Fernando Haddad. "Serra é um adversário histórico nosso no plano federal. Não fazia sentido estarmos na base de apoio de Dilma em Brasília e nos alinharmos com um adversário em São Paulo", disse Lupi ao Correio.
Integrantes da cúpula do PT pressionaram os pedetistas para que eles mudassem de opinião na disputa paulistana. Além da ameaça velada da perda de ministério — negada pelo Planalto —, os petistas sinalizaram o abandono da candidatura de Gustavo Fruet (PDT) em Curitiba e de Carlos Eduardo (PDT) em Natal.
Lupi negou que a principal preocupação da legenda seja manter intacto o espaço que ocupa hoje na Esplanada, com o Ministério do Trabalho. "Desde o tempo em que eu ainda estava na pasta eu dizia que o apoio do PDT à presidente Dilma não está condicionado a cargos, mas a afinidades político-ideológicas", completou.
Para não comprar uma briga desnecessária com Paulinho, presidente da Força Sindical e candidato derrotado à prefeitura de São Paulo, Lupi decidiu que o sindicalista e os demais pedetistas que quiserem apoiar Serra poderão fazê-lo de maneira individual. "Não serão punidos por isso, somos um partido democrático."