Correio braziliense, n. 20486, 23/06/2019. Política, p. 3

 

Sem previsão de novos concursos

Augusto Fernandes

23/06/2019

 

 

Governo » Bolsonaro afirma que "dificilmente" serão realizados certames federais. Para o presidente, o Congresso quer transformá-lo numa "rainha da Inglaterra"

A partir do ano que vem, a tendência é de que sejam realizados menos concursos públicos no país. A medida, confirmada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro, foi tomada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, que quer barrar a aplicação de novos certames para economizar gastos com o funcionalismo federal. Segundo o presidente, poucas áreas terão concurso. “A gente até gostaria em uma área ou outra. Abri uma exceção para a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Fora isso, dificilmente teremos concurso no Brasil nos próximos poucos anos”, afirmou.

Para justificar a decisão, Bolsonaro também citou restrições no orçamento público. Além disso, ele frisou que não é o governo quem deve criar empregos. “Emprego não sou eu. Emprego quando crio cargo de comissão ou quando faço concurso. Paulo Guedes decidiu basicamente que poucas áreas terão concurso, porque não tem como pagar mais. O problema é esse”, destacou.

De acordo com o presidente, para reduzir a taxa de desocupados no Brasil, que hoje é de pouco mais de 13,2 milhões de pessoas, é preciso estimular o crescimento da economia do país com investimentos privados. Nesse sentido, reforçou a necessidade de que a reforma da Previdência seja aprovada. Atualmente, o texto tramita na Câmara dos Deputados.

“A partir do momento em que ninguém investe aqui, a taxa de desemprego aumenta e aí vem a violência. Tudo de ruim vem atrás. Em todas as minhas andanças pelo mundo, parece que a palavra mágica passou a ser reforma da Previdência. Muita gente quer investir aqui. E gente de dentro do Brasil. Estão esperando isso que virou algo mágico. Se a Previdência sair, voltamos a ter confiança e os investimentos virão. E atrás disso vem emprego”, garantiu.

Congresso

Visivelmente insatisfeito com a aprovação no Congresso de um projeto de lei que transfere a parlamentares o poder de indicar integrantes de agências reguladoras, Bolsonaro disse que a medida vai transformá-lo em uma “rainha da Inglaterra”, que reina, mas não governa.

“Querem tornar privativo do Parlamento indicações para agências. Querem me deixar como rainha da Inglaterra?”, questionou. Na avaliação dele, as agências “travam ministérios, pois você fica sem ação, tem que negociar com a agência, cria um poder paralelo”. O projeto recebeu o aval da Câmara ainda em 2018 e foi aprovado pelo Senado em maio deste ano. Agora, aguarda a sanção de Bolsonaro para virar lei. O presidente tem até terça-feira para aprovar ou vetar o documento.

_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

Compras no Sudoeste

Bruna Lima

23/06/2019

 

 

 

 

O presidente aproveitou a manhã de ontem para fazer compras e foi a um mercado na quadra 301 do Sudoeste. Apesar de passar menos de 10 minutos no estabelecimento, onde adquiriu um xampu e um condicionador, foi cercado por apoiadores e tirou fotos com clientes e pessoas que passavam pelo estabelecimento. Na saída, recebeu muitos aplausos.

Um dos funcionários do mercado comentou que o presidente costumava frequentar o comércio antes de assumir a Presidência, especialmente de madrugada, visto que o estabelecimento funciona 24 horas. Desde que tomou posse, segundo o homem, foi a primeira vez que Bolsonaro apareceu por lá. “Mas ele não mudou, trata a gente igual”, comentou.

“Pedi uma foto”

A vendedora Ipacia Valentine, 29 anos, estava no mercado quando se deparou com o presidente. “Nunca que eu imaginaria dar de cara com o presidente fazendo compras. Foi bem diferente. Então, aproveitei e pedi logo uma foto”, explicou. A comerciante e dona de uma loja de roupas infantis, Fernanda Siqueira, 36, também não perdeu tempo e foi ao encontro de Bolsonaro. “Ele foi muito simpático, atencioso e carismático. Ainda troquei algumas palavras com ele e contei que era comerciante e ele me desejou boa sorte. Foi muito legal essa aproximação.”

A empresária Arlete Torres, 58, correu para a porta do supermercado ao saber da visita presidencial. “O rapaz que veio entregar umas encomendas me avisou e eu fui correndo. Fiquei do lado do caixa, esperando ele sair e pedi uma foto. Saiu tremida e ele ainda voltou para fazer uma melhor”.