Título: Emprego formal recua 28%
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 18/10/2012, Economia, p. 17
O país criou 150.334 postos com carteira assinada em setembro, o pior resultado desde 2001. No DF, o saldo líquido foi de apenas 25
O crescimento pífio da economia está batendo como nunca no mercado de trabalho. O Brasil ainda está conseguindo abrir vagas, mas em número bastante inferior ao do ano passado. Em setembro, segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados ontem pelo Ministério do Trabalho, o líquido do emprego formal foi de apenas 150.334. Foi o pior setembro desde 2001, quando foram criadas 80.028 postos com carteira assinada.
Na gangorra das demissões e contratações, o Distrito Federal só foi capaz de gerar um saldo de 25 empregos formais. Em setembro de 2011 tinham sido 2.480. Em setembro de 2005 e setembro de 2010, a criação de postos de trabalho no DF superou a marca de quatro mil. O resultado fraco deste ano foi culpa da construção civil. Segundo o Ministério do Trabalho, o setor fechou 695 vagas no mês passado. Não é o que parece, quando se observa a cidade e a sucessão de prédios que praticamente brotam do chão. Mas as dispensas superiores às admissões podem ser fruto de encerramento de etapas das obras.
Na comparação com setembro de 2011, quando foram abertos 209 mil empregos formais em todo o país, o resultado do mês passado mostrou uma queda superior a 28% na contratação de trabalhadores. No acumulado do ano, o Caged contabilizou 1,57 milhão de novos postos, 25% a menos do que os mais de dois milhões do mesmo período do ano passado.
Para o secretário interino de Emprego e Salário do Ministério do Trabalho, Rodolfo Torelly, a situação não poderia ser diferente. Ele explicou que a oferta de vagas reflete as condições da economia, que está em desaceleração por causa da crise global. "O mercado de trabalho, de certa forma, acompanha o PIB (Produto Interno Bruto). Mas, em função do clima internacional adverso, o cenário ainda é extremamente positivo", avaliou.
Mesmo com uma leitura favorável dos números, Torelly admitiu que o desempenho do emprego formal neste ano ficará longe do resultado de 2011, com o acréscimo de, no máximo, 1,5 milhão de vagas. Isso porque o auge do movimento de contratações ocorre justamente em setembro. Em outubro e novembro, o mercado se enfraquece e, em dezembro, normalmente ocorrem mais demissões. Mesmo em anos bons, a perda gira em torno de 400 mil. Quando há crise, fica pior. Em 2008, por exemplo, as dispensas atingiram 700 mil trabalhadores no último mês.
Setores Com um saldo líquido 66.191 admissões, a indústria de transformação superou os serviços (55.221) na geração de empregos, em setembro. O comércio veio em seguida, com 35.919 ofertas e, depois, a construção civil, que abriu 10.175 oportunidades. Por motivos sazonais, o resultado foi negativo na agricultura, que fechou 19.014 postos, principalmente na cultura do café em Minas Gerais e em São Paulo.
Entre os 12 subsetores da indústria de transformação, o que mais empregou foi o de produtos alimentícios, que apresentou saldo positivo de 40.366 contratações. Também por fatores sazonais, na indústria da borracha e de fumo houve 2.553 dispensas líquidas no mês.
Entre as regiões, a Nordeste, fortemente influenciada pelo bom desempenho do cultivo da cana-de-açúcar, foi a que mais admitiu em setembro (71.246), superando até mesmo a Sudeste (43.749). Centro-Oeste e Norte tiveram desempenho mais fraco. As duas regiões geraram, cada uma, pouco mais de cinco mil postos de trabalho, em termos líquidos.