O globo, n.31535, 09/12/2019. País, p. 06

 

Relação entre Polícia Federal e governo Bolsonaro se pacifica 

Aguirre Talento 

09/12/2019

 

 

Três meses após a crise gerada pela tentativa do presidente Jair Bolsonaro de interferir na Polícia Federal (PF), a relação entre a cúpula da corporação e o governo está pacificada. O diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, encontrou-se em clima amistoso com Bolsonaro por três vezes em outubro e novembro, e a pressão por sua substituição arrefeceu.

A nomeação do superintendente da PF no Rio, Carlos Henrique de Sousa, publicada no Diário Oficial do último dia 21, foi o capítulo mais recente dessa nova fase. Bolsonaro havia tentado emplacar um outro no cargo, o que gerou resistência e um clima de beligerância diante de declarações ácidas do presidente. Na ocasião, ele disse que trocava o diretor-geral da PF quando quisesse e que tinha poder de veto sobre nomeações na corporação. Após esse conflito, Bolsonaro desistiu da tentativa de emplacar um nome seu e o Ministério da Justiça publicou a nomeação de Sousa,

pendurada há meses. Na mesma semana, também saíram nomeações para as superintendências de Alagoas (o delegado João Vianey Xavier Filho) e de Pernambuco (a delegada Carla Patrícia Cintra). Todas ocorreram sem atritos e sinalizaram o aval do governo para a gestão de Valeixo.

RESPALDO

Integrantes da PF avaliam que não faria sentido publicar as nomeações caso houvesse intenção do governo de trocar o diretor-geral a curto prazo —mudanças na direção costumam provocar alterações nas superintendências regionais.

A atuação do ministro da Justiça, Sergio Moro, junto a Bolsonaro foi considerada essencial para a permanência de Valeixo. Interlocutores indicam que o ministro atuou para amenizar a fritura e apaziguar o clima.

Nessa mesma direção, a avaliação no Palácio do Planalto é que não há mais intenção, por ora, de mudar o comando da corporação. Para interlocutores, pesaram para que Bolsonaro desistisse da troca o estilo discreto de Valeixo, com poucos pronunciamentos e bom diálogo interno com a corporação, mesmo com as demandas de agentes sobre condições de trabalho.

Em 9 de outubro e 4 de novembro, Valeixo e Bolsonaro estiveram juntos no Planalto. Na primeira ocasião, Moro participou do encontro. Poucos dias antes, a PF havia indiciado o ministro do Turismo, Marcelo Álvaro Antonio, pelo esquema de candidaturas laranjas do PSL. Na segunda reunião, estiveram presentes outros integrantes do governo, como o vice-presidente Hamilton Mourão e o ministro Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional).

O encontro mais recente foi no encerramento do Curso de Formação Profissional de Policiais Federais, em 8 de novembro. Bolsonaro e Valeixo se sentaram lado a lado e o clima entre ambos foi definido como “amistoso” por policiais federais presentes.