Título: Suspeita de dinheiro ilícito
Autor: Cristino, Vânia
Fonte: Correio Braziliense, 20/10/2012, Economia, p. 14

Desde a segunda metade do ano passado, o fundador do Banco BVA vinha tentando transferir o controle acionário da instituição a uma grupo de investidores. Mas as operações foram barradas pelo Banco Central, por suspeitas de irregularidades. O caso mais emblemático foi o do executivo Benedito Ivo Lodo Filho, que havia trabalhado nos bancos Safra e J. Safra. Ele não conseguiu comprovar à autoridade monetária a origem do dinheiro para fechar o negócio. Mesmo assim, foi ele que, nos últimos meses, comandou todas as operações do BVA. E fazia questão de dizer isso a quem aparecesse em seu caminho.

Durante as negociações, Ivo Lodo assegurou ao BC que, junto com ele, o BVA sairia do atoleiro com R$ 300 milhões do empresário Carlos Alberto de Oliveira Andrade, dono do grupo de revendedoras de automóveis Caoa, e R$ 200 milhões do empresário Cleber Faria, que compete em provas de automobilísticas e foi sócio da cervejaria Itaipava. Nenhum deles, porém, entrou definitivamente no negócio.

O BVA só conseguiu levantar R$ 200 milhões com um fundo de private equipe chamado Patriarca, que ficou com 24,17% das ações da instituição. Curiosamente, o Patriarca tem como principais cotistas fundos de pensão de funcionários de empresas estatais, com o Infraprev (Infraero) e Refer (da extinta rede Ferroviária Federal). “São todos do meu círculo de amizades”, declarou Lodo, quando entrou para o BVA.

Desconfiança Apesar de o Banco Central ter autorizado o Patriarca a entrar no BVA, há um grande desconforto no governo com a quantidade de fundos de pensão no capital da instituição falida e, sobretudo, com recursos aplicados no banco. Somente o Serpros, dos empregados do Serpro, a empresa estatal de informática, teria R$ 168 milhões em fundos e em certificados de depósito bancário (CDBs) do banco. Também estariam na lista a Funcef, da Caixa Econômica Federal, e a Petros, da Petrobras.

Para detalhar esse negócios, o BC já pediu informações à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que fiscaliza e regula o mercado de capitais, e à Previc, que controla o sistema de previdência complementar. “Queremos ver, detalhe por detalhe, como o BVA e Lodo se aproximaram dos fundos de pensão de estatais”, afirmou um técnico do Ministério da Fazenda.

Empréstimos fictícios Uma das irregularidades mais frequentes cometidas pelo Banco BVA era registrar em seus balanços que havia concedido empréstimos a empresas, mas, efetivamente, os recursos não eram liberados. Fiscais do Banco Central investigam, por exemplo, denúncias de uma construtora que opera no Distrito Federal. O BVA alega ter repassado à empreiteira R$ 49 milhões, financiamento garantido em empreendimentos e terrenos da empresa. Mas nenhum centavo chegou ao caixa da construtora que, apenas em setembro último, fez 69 denúncias ao BC. No entanto, somente 17 queixas aparecem nos registros públicos da autoridade monetária e nem todas são da companhia.

-------------------------------------------------------------------------------- adicionada no sistema em: 20/10/2012 01:09