Valor econômico, v.19, n.4701, 01/03/2019. Finanças, p. C2

 

Novo rebaixamento reduzirá acesso da Vale a grandes fundos globais 

Talita Moreira 

01/03/2019

 

 

Depois do rebaixamento da nota de crédito da Vale pela Moody's, investidores agora aguardam os próximos passos das demais agências de classificação de risco. Um novo corte poderá deflagrar a venda de bilhões de dólares em bônus da mineradora e reduzir o acesso dela a capital.

A S&P Global tende a ser o fiel da balança para a manutenção ou perda do status de bom pagador da Vale, segundo a equipe de análise de dívida do Itaú BBA. A agência colocou a nota da mineradora em observação negativa no fim de janeiro, logo após o rompimento da barragem de rejeitos em Brumadinho (MG). Depois disso, não se manifestou mais sobre a companhia.

A Fitch também pôs o rating da Vale em perspectiva negativa depois do acidente. Porém, na semana passada, mostrou inclinação em manter a nota em "BBB-", segundo o Itaú BBA. De acordo com a manifestação mais recente da agência, nenhum cenário de estresse mostra a relação entre dívida líquida e Ebitda maior que três vezes e a relação entre dívida bruta e Ebitda acima de 3,5 vezes. Esses níveis são referência para empresas com baixo perfil de risco.

Anteontem, a Moody's cortou a nota da Vale de "Baa3" para "Ba1", com perspectiva negativa. Esse rating fica aquém do que é considerado grau de investimento, status atribuído a títulos com baixa probabilidade de "default".

Se pelo menos mais uma das agências tirar o grau de investimento da Vale, fundos que só aplicam em nomes com status de bom pagador serão forçados, por regulamento, a se desfazer dos títulos emitidos por ela. Nesse caso, poderiam ser vendidos entre US$ 1,1 bilhão e US$ 5 bilhões, estimou o J.P. Morgan em relatório enviado a clientes no início deste mês (antes, portanto, da decisão da Moody's).

A saída desses fundos limitaria as opções de financiamento para a Vale. A empresa deixaria de ter acesso a um "bolso" muito mais profundo, o que tornaria mais caras suas emissões.

Os papéis da Vale com vencimento em 2026 recuaram na quarta-feira, mas subiram ontem e, no fim do dia, estavam cotados a 105,94% do valor de face, alta de 0,19 ponto percentual no dia.